domingo, 28 de junho de 2015

Agora a Inês é morta.


Inês foi uma dama da corte portuguesa que teve morte trágica. Seu nome completo era Inês de Castro (1323 -1355) e ela foi amante do príncipe herdeiro que se tornaria rei com o nome de d. Pedro I - que não tem nada a ver com Pedro I Imperador do Brasil. Em 1345, com a morte da esposa, dona Constança, o príncipe português passou a viver secretamente com Inês. Chegou a ter filhos com ela. Dez anos depois, o rei, aproveitando que o filho estava fora do país, mandou executar a moça. Quando retornou, Pedro ficou furioso e ordenou a morte dos conselheiros que ajudaram seu pai na decisão. Fora a vingança, não havia mais o que fazer. O caso trágico foi contado e recontado em várias obras portuguesas, como “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. "A frase, que significa 'agora é tarde demais', passou a ser usada como uma alusão à tragédia", conta o professor de Língua Portuguesa Reginaldo de Carvalho da Universidade de São Paulo.

sábado, 27 de junho de 2015

Parar Tratamento por Motivo de Não Quero Mais

Não aguento mais!
Eu estou parando o tratamento, tanto de medicação quanto de psicoterapia.
O que aconteceu comigo? Onde eu fui parar? Não me encontro mais!
Todos esses anos de lítio, topiramato, ansiolíticos, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e sei mais lá o quê, me deixaram lenta, burra, sem criatividade. Não quero mais isso pra mim. Eu não sou mais eu!!!
Os médicos receitam, fazem testes conosco... Sei que, muitas vezes, é necessário para acertar a dose e o remédio, só que esses testes corrompem o nosso cérebro e, o pior, a nossa alma.
Estou parando com tudo! Chega!!!
Não quero mais ser este zumbi em que me transformei.
Sei que tive períodos muito ruins, fiz coisas malucas, mas quem não faz?
Eu estou achando também que Transtorno Bipolar é uma invenção médica, pois, se for ver, a vida é assim mesmo (altos e baixos) e não é todo mundo que os psiquiatras mandam para hospícios, um lugar muito legal, por sinal.
Sei lá, acho que Bipolaridade é invenção da mídia golpista e desses médicos LOUCOS só para tirar o nosso dinheiro e, pior, tirar o nosso eu verdadeiro.
Pqp! Eu escrevia bem, tinha energia, fazia muitas coisas, mas, agora, com o uso desses venenos e da terapia, estou uma pessoa morta, sonolenta, lenta...! E eu quero viver!!! Isso não é vida!
Que fácil esse diagnóstico de TBH. Todo mundo vai se achar bipolar. Todo o mundo se acha bipolar, então é fácil a pessoa pensar: "Nossa, esse médico acertou meu diagnóstico!" BURRA você, pessoa que aceita isso. Eu não aceito mais e vou parar com todas essas drogas. E é pra já!
Como dizem, vou ali ser feliz e não volto!!!






Saga da Família Buscapé

https://www.youtube.com/watch?v=-0na-JZyGNA

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Resumos de livro/ Érico Verissimo/ Enredo de Ana Terra/ O Tempo e o Vento

Ana Terra era um dos quatro filhos de Maneco Terra e D. Henriqueta. Nascera em Sorocaba e viera com a família para a vasta solidão dos campos e coxilhas do Rio Grande de São Pedro (= Rio Grande do Sul). O pai lhes fizera, algumas vezes, uma inútil promessa de voltarem para S. Paulo. Em 1777, era uma moça de 25 anos que ainda esperava o amor e o casamento. Era “de olhos e cabelos pretos, rosto muito claro, lábios cheios e vermelhos”. Vivia com o pai, e mãe e dois irmãos, (Lúcio já estava enterrado nas coxilhas...) no descampado, sob os temores de invasões dos índios ou dos castelhanos. Levavam vida muito primitiva e pobre. (“O rancho que habitavam não podia ser mais primitivo. O velho Terra, como os filhos, era analfabeto, homem taciturno e de poucas palavras. O mobiliário do rancho, escasso e rústico. Naquele ermo aquele gente nada fazia mais que trabalhar de sol a sol, comer, dormir,, esperar... Um dia era quase sempre a repetição do anterior. A família estava ilhada naquele verde de horizontes sem fim. Não tinham calendário, nem relógio, nem vizinhos próximos...”) 
 
Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando”, costumava dizer Ana Terra. Passam-se anos. E foi num dia assim que ela conheceu um índio, criado numa redução jesuítica, Pedro Missioneiro. Ela o encontrou feiro perto da sanga e o pai e irmãos o recolheram e o trataram no rancho. Apesar de certa má vontade do pai e irmãos, o índio foi ficando e se incorporando ao primitivo clã. Aí vivia, trabalhava, tocava flauta e contava histórias muito lendárias, numa língua misturada de português e espanhol.
Do amore de Ana Terra e Pedro Missioneiro, vai nascer, mais tarde, um filho que repetirá as feições e o nome do pai e a teimosia e o silêncio do avô Maneco Terra. (Pedro Missioneiro aparece e desaparece rodeado de algum mistério e se projeta como um mito. Possui certos poderes mágicos que o tornam meio sobrenatural...). Para cumprir o código de honra do clã e por ordem do chefe Maneco Terra, Antônio e Horácio, irmãos de Ana, matam e enterram, longe do rancho, o índio Pedro Missioneiro. Bem longe da estância para não infringirem o dever sagrado da hospitalidade. Tudo questão de honra familiar. O filho de Ana Terra e Pedro Missioneiro nasceu em 1789. A vida continua amarga e se torna trágica, quando um bando de castelhanos invade os ranchos dos Terras, mata o pai e o irmão de Ana Terra e os dois escravos, violentando Ana Terra e desaparece, destruindo tudo e levando o que quiseram. (Horácio casara-se e se mudara para Rio Pardo). D. Henriqueta já tinha morrido. Ainda escaparam da chacina Eulália, mulher de Pedro, Rosinha, sua filha e Pedro, filho de Ana Terra, que por ordem dessa, se tinham escondido no mato.
Quando as carretas de Marciano Bezerra passam por ali, em demanda das sesmarias do Coronel Ricardo Amaral, as duas mulheres e as duas crianças seguem com eles (Ana Terra segue para o rincão longínquo de Santa Fé: é a fuga da sua solidão, de sua família, eliminada, do crime dos irmãos que mataram Pedro Missioneiro, da insegurança e da violência que tomaram conta de sua terra. É a fuga ao passado.) Depois de longa viagem e sofrimento, chegam ao final do caminho e fincam raízes na terra. Eulália se une a um viúvo e cria a filha Rosa. Ana Terra cria Pedro. Estão lançando os alicerces de Santa Fé. (Passa o tempo e o vento...) Pedro, já moço, volta de uma guerra sob as ordens do Coronel e se casa com Arminda Mello: do casamento nascerá um casal de filhos, Juvenal (1804) e Bibiana (1806) que se casarão com Maruca Lopes e com Rodrigo Cambará. (Ver a árvore genealógica dos Terra-Cambará).
O Coronel Ricardo Amaral morreu na Guerra. Agora, nova guerra para a conquista da Banda Oriental (1811). E lá se foi novamente, para a guerra, Pedro Terra, agora, sob as ordens do Major Francisco Amaral. Pedro sabia bem o que era uma guerra. Ia sem nenhuma ilusão. Despedindo-se da mãe, lhe diz: “Mãe, tome conta de tudo...” - Tem pressentimentos de que não voltará.
Ana Terra fica escutando o vento. “Estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia...”
Nas noites de ventania, ela pensava nos seus mortos. Muitos anos depois, sua Bibiana, já mulher feita, ouvia a avó dizer, quando ventava:
Noite de vento, noite dos mortos...” 
 
ESTILO DA ÉPOCA
Uma certa crítica continua calada a respeito do romance de Érico Veríssimo. E se esquece de que nem todo escritor tem que ser igual ou semelhantes a Guimarães Rosa. (Guimarães Rosa virou mito... E é preciso não esquecer que ele está sozinho e, muitas vezes – fica sozinho pela dificuldade de abordagem: talento e originalidade isolam do leitor comum e o reservam quase só para os especialistas).
Há uma crítica também que não suporta a popularidade. O autor tem que ficar reservado só para ela, não pode andar na mão do povo. Como Jorge Amado, Érico Veríssimo é um dos romancistas brasileiros mais lidos. (Realidade apresenta uma estatística significativa só de volumes editados em português da obra do escritor gaúcho: mais de dois milhões de exemplares – nº 71 – fevereiro de 1972). 
 
O que Érico Veríssimo é: um excelente narrador que foi dominando o seu instrumento em quarenta anos de trabalho a ponto de se tornar um mestre de romance brasileiro de hoje. Um romancista que quer ser lido e não apenas interpretado pelos críticos e pelos alunos das faculdades de Letras.
Seja como for não me considero grande romancista. Não sou um inovador, nem na técnica nem na linguagem. Se me pedissem um adjetivo para me qualificar como contador de estórias eu sugeriria engenhoso”.
(Manchete – 04.08.1973 n. 1.111)
É uma auto-crítica sincera, mas severa. Em lugar do último adjetivo se poderia pôr: talentoso.
Érico Veríssimo é ou não é um romancista moderno?
Somos todos acusados – escreve ele – de estar ainda escrevendo o romance do século XIX. Será mesmo verdade? Mas que é o romance do século XX? Para mim é uma história de problemas de nossa época, mais o uso de todos os neologismos que a ciência criou – tudo isso e mais o espírito destes tempos. Mas é uma tolice procurar inventar a “língua do futuro. (Carta ao autor em 27.12.1967).
E como ficou chato ser moderno agora serei eterno... (Aguilar – 284)
Sobretudo na sua última fase, última até agora, o romancista gaúcho tem colocado na sua ficção paisagens humanas, problemas da atualidade, o máximo de participação do mundo de hoje. Assim em O Prisioneiro e O Senhor Embaixador em que coloca problemas político-internacionais. Em Incidente em Antares constrói um significativo romance político, sem cair no panfleto político.
ASPECTOS SOCIAIS
O autor não é nem historiador, nem sociólogo, mas a trilogia inteira de O Tempo e o Vento se impregna de importante conteúdo social. Tudo gira em torno de famílias, de cidades, na formação de uma “nação”.
Em Ana Terra afloram muitos problemas sociais que podem ser exemplificados. O regime do rancho, da estância é o paternalista: o pai, o marido têm a primeira e última palavra. E não se discute. Impõe sua vontade, a começar da partida de S. Paulo para a solidão do Sul. Todos, mulher, filha e filhos se submetem à “onipotência” do cabeça do clã.
D. Henriqueta respeitava o marido, nunca ousava contrariá-lo” (12). Quebra-se a rigidez do domínio absoluto do pai, quando um dos filhos se casa com mulher da cidade e abandona a estância.
"Aqui faço o que quero, ninguém me manda. Sou senhor do meu nariz” (41) Declaração de... força de Maneco Terra. Ele manda e desmanda. E tanto é verdade que, depois da gravidez de Ana Terra, ele decreta a sentença de morte contra o estranho Pedro Missioneiro que infringiu a lei do clã. E os filhos executam a ordem, cegamente.
Nessa vida de solidão, o pai não dialoga com a filha que se sente cada vez mais solitária, à espera do amor. Que chegou misterioso e trágico. Daí nasceu aquela revolta íntima e constante de Ana Terra, a sua frieza diante da morte quer da mãe como do pai e irmão. Depois da tragédia final, ela escolhe o caminho: sair para longe e ajudar a fundar uma nova cidade.
Existem raízes profundas na religião do clã?
Automaticamente” Ana começou a rezar. Seus olhos ergueram-se para o crucifixo, postaram-se no Cristo de nariz carcomido. Padre nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome...” (96). Isso, na hora da tragédia. Depois de tudo consumado, consola sua cunhada:
Não há de ser nada. Deus é grande.” “E em pensamento completo a frase: Mas a serra é maior.” (113)
Na imensidão daquelas planuras e coxilhas, nos primeiros dias ainda de sua criação, não há lei nem rei. Vale a lei da força, da pontaria mais certeira. Quem que poderia, senão a força, pôr um paradeiro à ganância dos castelhanos?
A morte vai definir a sorte e a libertação de Ana Terra do julgo paterno ou masculino. Exterminada a sua família, ela acha um novo caminho e parte. Vai com ela seu filho Pedro. De Ana Terra sairá também um sobrenome para a família que vai nascer.
Naqueles tempos e naquelas terras se vive sob o signo da insegurança, principalmente pelas escaramuças castelhanas, nas guerras de rapinagens, de dinheiro e de sexo. Vive-se sob o signo do medo: adianta plantar, adianta construir, quem garantirá o dia de amanhã, senão em paz, pelo menos com vida? Nesse clima, como se estruturará uma sociedade, como nascerá uma cidade? É perguntar ao tempo e ao vento...
LINGUAGEM
Comecemos, repetindo um trecho de carta de Érico Veríssimo: “Confesso-lhe que sempre que vou começar um novo livro fico pensando... Sinto uma espécie de auto-náusea, medo de me repetir, etc... Conheço todas os meus “cacoetes literários”, sei onde estão todos os alçapões da minha carreira de ser como escritor, procuro evitá-los, fugir ao lugar comum e não bater na mesma tecla. Antes de começar O PRISIONEIRO, me fiz várias perguntas. Será que não escrevo de maneira diferente por preguiça? Valerá a pena tentar inovações? Cheguei a fazer experiências nesse sentido e o resultado me deixou muito encabulado pelo que havia de artificial, de rebuscado, de insincero em minha prosa “nova”...” (Carta ao autor – 27.12.1967).
É o problema de renovar a língua. E o escritor acha que a solução não é inventar uma língua marginal, mas usar uma língua de ampla comunicação, capaz de veicular as suas histórias.
Através de sua obra, a sua língua (gem) se depurou e apurou, adquirindo concisão e expressividade, sobriedade de adjetivos e usando com economia os regionalismos. Uma língua (gem) adquirida com talento e trabalho, com suor e sacrifício. É o inferno do escritor que ajunta 1.300 páginas para, afinal, reduzi-las à somente 400. (Caso de O Senhor Embaixador – Entrevista à Revista Globo n. 899 de 22-05-1965 – pág. 9).
Mas, voltando aos regionalismos, o autor os emprega muito moderadamente. A língua (gem) mais regionalista é a do índio Pedro Missioneiro que mistura o seu castelhano das reduções com o português do descampado. O índio usava um “língua confusa”, conforme expressão de Maneco Terra. (pág. 51) A escolha de um padrão de língua mais comum, mais geral foi consciente: “quem sabe como o povo falava no Rio Grande do Sul na última metade do século XVIII? A linguagem daquela época que nos ficou em documentos oficiais, proclamações, ordens do dia, obras eruditas, etc, ... Não era evidentemente a que o povo usava. Quanto a regionalismos verbais acho que o autor deve usá-los com grande parcimônia, apenas o necessário para dar a chamada “cor local”. (Ana Terra – Introdução – pág. XVI). Qualquer leitor brasileiro percebe o sentido universal da língua (gem) regionalista de José Lins do Rego ou de Graciliano Ramos. Nem se pode comparar com o regionalismo linguístico, verdadeiramente de pesquisa, do seu conterrâneo João Simões Lopes. (Contos gauchescos e Lendas do Sul).“Em verdade, Érico Veríssimo escapou à tentação de linguagem regionalista, que faz pesar uma temível hipótese: de uma parte, a leitura é mais difícil para os não iniciados, em particular para os estrangeiros, de outra parte a obra se acha desclassificada, pois a etiqueta regionalista, sem ser necessariamente pejorativa, indica uma limitação desagradavelmente reduzida de seu alcance. (Jean Roche – In Aguilar – vo. V – pág. 726).
Outro problema que me parece ficou bem resolvido na língua (gem) de Ana Terra: uma extrema sobriedade e simplicidade de acordo com o grau primário de desenvolvimento do clã de Maneco Terra. Não há concessões ao retórico ou ao esparramado. A língua(gem) dos Terras tinha que ser de primitivismos, pobre de recursos. Como eles eram. “Tudo isso explica a língua um tanto primária de toda a narrativa.” (Introdução de Ana Terra – pág. XIII)
Exemplifiquemos alguns casos da língua(gem) em Ana Terra:
1. Por influência do castelhano (zona de fronteira com os povos ibero-americanos) aparece le, objeto indireto, em lugar de lhe. Na boca de Maneco Terra: “E vosmecê sabe o que pode le acontecer?” (95)
E Ana: “Temos dinheiro pra le pagar...” (111)
2. Neste diálogo de Ana com seu Marciano, ela usa vosmecê, tratamento que ocorre mais vezes. É uma forma sincopada de vossa mercê, aparentada com vosmecê com você. Corresponde ao usted castelhano. Denuncia um respeito e afastamento, para não dar intimidade ao interlocutor. O pai também, em certos momentos, a trata por vosmecê. (95)
3. É usual na língua oral do Rio Grande do Sul o tu. Fenômeno também comum em Portugal. Às vezes, contrariando os padrões gramaticais, usa-se o tu e o verbo na 3ª pessoa do singular. É como fala Ana Terra ao filho: “Morreu, disse Ana, morreu antes de tu nascer.” (91) (70)
4. Uso generalizado, embora não total de pra: “Temos de arrumar a casa pra esperar o noivo”
5. Citemos algumas palavras de cunho regionalista:
a) cafundó: (12, 107) é um brasileirismo usado com o sentido de lugar perdido, sem eira nem beira, lugar longínquo. Tanto no singular como no plural.
b) Chinoca: moça nova de origem indígena, rapariga filha de chinas (= mulheres que no Rio Grande do Sul são de raça indígena).
c) Chiripá: regionalismo sulino: uma vestimenta sem costura, usada antigamente pelos homens do campo das estâncias.
d) Chirimia: palavra castelhana. É um instrumento musical, uma charamela, espécie de clarinete. O índio também “sabia tocar chirimia”.
e) Ganga: é um tecido azul ou amarelo. “Tinham as calças de ganga escura arregaçadas...”
f) Guaiaca: regionalismo do sul. É um cinto de couro para o porte de armas ou de dinheiro. “... batendo na guaiaca onde guardava sua carta de sesmaria” (40)
g) Salamanca: palavra que, no sul, designa cavernas misteriosas que a crença popular enche de riquezas em ouro e prata.
h) Sanga: palavra usual no falar e escrever gaúcho para significar um riacho espraiado no mato, ou nas canhadas que secam com facilidade. Aparece algumas vezes em Ana Terra.
A sanga corrida por dentro dum capão” (5).
Ana Terra sorria: a moça da sanga corria também” (5).
Aqui, no final do tópico sobre a linguagem, convém relembrar uma conversa de Monteiro Lobato com Érico Veríssimo.
Muitos anos mais tarde vim a conhecer Monteiro Lobato pessoalmente, fazendo com ele excelente camaradagem. Neste exato momento estou ouvindo a sua voz cheia duma energia meio cansada e desiludida dos homens: “Seu Érico, o escritor de verdade escreve naturalmente como quem mija. Não vá muito atrás dessas novidades que andam por aí e que na maioria dos casos não passam de truques inventados por quem não sabe contar estórias. (Solo de Clarineta – Editora Globo – Porto Alegre – vol. II – pág. 161).
NOTA: As páginas indicadas para Ana Terra se referem à edição da Globo – Porto Alegre – 1975.
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Ana Terra (“O Tempo e o Vento” - “O Continente”)

Ana Terra é a matriarca da família Terra Cambará. Filha de imigrantes portugueses que chegam ao Rio Grande do Sul no século 18, Ana e sua família passam por todas as dificuldades de morar em uma região esquecida pelas autoridades e permeada de disputas por terras e fronteiras.

Sua personalidade forte, de garra, obstinação e resistência frente a todas as perdas e violências que sofre fazem de Ana Terra um símbolo da mulher gaúcha. Traços da personalidade de Ana e sua crença na vida serão encontradas nas mulheres das gerações futuras da família Terra Cambará, principalmente de sua neta Bibiana. O erotismo da jovem é também é destacado, pois esta desperta em meio a solidão da fazenda onde Ana mora com a família e culmina com a sua entrega a Pedro Missioneiro.

Além disso, ela é quem estabelece a relação entre o vento e os acontecimentos importantes de sua vida que serão uma espécie de ligação entre o vento e a memória feminina em toda a obra do autor, como um consolo e arma de defesa de mulheres que assistem os homens lutarem e morrerem em suas guerras.

"Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando", costuma dizer Ana Terra, que reside com os pais e os dois irmãos numa estância erma do interior gaúcho, na segunda metade do século XVII. O cotidiano dos Terras é duro, penoso, arriscado. Tiram sustento da colheita. Calculam a passagem do tempo observando a natureza. Vivem sob o perigo de ataques de índios ou de renegados castelhanos, estes últimos recentemente expulsos do Continente de São Pedro. Ana Terra, última filha mulher, é impedida de comprar um espelho, "coisa do diabo", objeto fútil nesse ambiente austero. Sem ter onde se mirar, só pode contemplar sua figura na superfície do regado onde lava a roupa da família. É nesse regato que ela depara com Pedro Missionário, ferido à bala. Mestiço de índio nascido numa missão jesuíta, Pedro lutara ao lado dos estancieiros pela expulsão dos castelhanos. Após restabelecer a saúde, pouco a pouco vence a desconfiança dos Terras e a repulsa de Ana, para quem sua "presença era tão desagradável como a de uma cobra". Sem perceber, a moça enamora-se de Pedro, uma atração trágica e irresistível que muda a vida da família Terra para sempre.

Árvore genealógica da família Terra-Cambará

 Maneco Terra
      |
 Ana Terra ------- Pedro Missioneiro
       _______|
      |
 Pedro Terra ------ Arminda Terra
        _______|__________________
       |                          |
 Juvenal Terra              Bibiana Terra ---------- Cap. Rodrigo Cambará
       |                      _________________|______
       |                     |          |             | 
 Florêncio Terra          Leonor      Anita    Bolívar Cambará ----- Luzia Silva
       |_____________________                                    |
          |                  |                                   |
 Maria Valéria Terra    Alice Terra  -----------------  Licurgo Cambará            Aderbal Quadros -------------- Laurentina Quadros
                                   __________|___________                                                |
                                  |                      |                                               |
                           Toríbio Cambará       Rodrigo Cambará --------------------------- Flora Quadros Cambará
           _____________________________________________|______________________________________________
             |                |                   |                 |                                 |
        Floriano           Eduardo            Alicinha            Bibi------Marcos Sandoval         Jango----------- Sílvia
............................


Capitão Rodrigo Severo Cambará (“O Tempo e o Vento” - “O Continente”)


Um dos mais conhecidos e marcantes personagens de Erico Verissimo, capitão Rodrigo Cambará tornou-se um símbolo do gaúcho no imaginário coletivo, com um misto de bravura, fanfarronice, generosidade e pensamento libertário, mesmo que talvez essa não fosse a intenção o autor. A trajetória do personagem cobre início e meados no século 19. Com seu comportamento por vezes apaixonante e por tantas outras reprovável, ele conquista os leitores e o coração de Bibiana Terra, neta de Ana. A história de amor entre os dois pode ser considerada a mais consistente e bem-sucedida de todos os casos da obra.

Rodrigo é um personagem épico, que a exemplo de Aquiles e de outros heróis das epopéias gregas, acredita que só as batalhas travadas nas guerras dignificam o homem. Talvez por essa mesma razão, não tinha talento nenhum para a vida doméstica e amava a liberdade de ir e vir quando bem entendesse o tempo que quisesse, mesmo depois de casado.A mesma intensidade da paixão que ele nutre pela ação guerreira é demonstrada no gosto pelos prazeres da vida, principalmente os da mesa e do sexo. Quase que instintivos, estes sentimentos aproximam-se das sensações primitivos do mundo animal.

Embora amasse a mulher Bibiana e a respeitasse em muitos aspectos, Rodrigo era o típico mulherengo, que não resistia a um rabo-de-saia e colecionava casos extraconjugais. Alguns dos traços característicos do capitão serão encontrados nos homens das gerações seguintes da família Terra Cambará. O carisma, a simpatia e o charme de Rodrigo compensam as sua falhas infantis e fazem dele um dos personagens mais importantes e marcantes de O Tempo e o Vento e da literatura gaúcha.


O sexto capítulo da parte O Continente da trilogia cíclica O Tempo e o Vento.

Santa Fé, 1828.

Chega a Santa Fé o Capitão Rodrigo Cambará. Tinha 30 anos e participara de várias guerras, em 18811, 1817, 1821 e 1825. Faz amizade com Juvenal Terra. Conhece Bibiana quando esta vai ao cemitério colocar flores na sepultura de sua avó, Ana Terra. Rodrigo decide permanecer em Santa Fé. A conselho do padre Lara, o vigário, vai pedir permissão à autoridade da região, coronel Ricardo Amaral Neto. O coronel, alegando não ser a vila lugar para pessoas como ele, pede que vá embora. Mas o capitão está disposto a ficar. Bibiana Terra o impressionara. Ficava horas a fio olhando para sua casa, na esquina da praça. Por causa da jovem, Bento Amaral e Rodrigo desentenderam-se numa festa. Sobem a coxilha para um duelo. Rodrigo é atingido por um tiro disparado por um capanga de Bento Amaral. Juvenal acolhe o Capitão Rodrigo, muito ferido, em sua casa. Restabelecido, ele casa-se com Bibiana em 1829. Rodrigo passa a trabalhar com Juvenal. Abrem um armazém com mantimentos que trazem de Rio Pardo. Nascem Bolívar e Anita, filhos de Bibiana e Rodrigo, e Florêncio, filho de Juvenal e Arminda.

Em 1833, chegam a Santa Fé imigrantes alemães. São eles Erwin Kunz e Hans Schultz e suas famílias. Instalam-se em pequenos ranchos nos arredores da vila.

Capitão Rodrigo não consegue acostumar-se à pacata vida de Santa Fé. Joga, envolve-se com outras mulheres, trabalha pouco. Sua filha Anita, morre sem que ele viesse para socorrê-la.

Inicia-se a Revolução Farroupilha e Rodrigo vai para as batalhas. No ano de 1836, os legalistas atacam a vila. Acompanha-os Rodrigo, que se encontra com Bibiana, à sua espera em casa. O grupo toma o casarão dos Amaral, mas Rodrigo morre atingido no peito por uma bala.

Dona Picucha Terra Fagundes, filha de Horácio Terra, conta histórias de seus novos heróis - Garibaldi, Bento Gonçalves e Canabarro. E fala das guerras que tomaram conta do Rio Grande e levaram seus filhos.

'Sou valente com as armas,
sou guapo como um leão,
índio velho sem governo,
Minha lei é coração.'

Quando Rodrigo Cambará surge no povoado de Santa Fé, em outubro de 1828 - a cavalo, chapéu caído na nuca, cabeleira ao vento, violão a tiracolo -, parece chamar encrenca. Com a patente de capitão, obtida no combate com os castelhanos, é apreciador de cachaça, das cartas e das mulheres. Homem de espírito livre, não combina com os habitantes pacatos do local, mantidos no cabresto pelo despótico coronel Ricardo Amaral Neto. Mas depois de conhecer Bibiana Terra, nada convence Rodrigo a arredar o pé da aldeia. Nem a aspereza de Pedro, pai de Bibiana, nem a zanga de coronel, que não vê com bons olhos os modos do capitão. Nem mesmo o fato de a moça ser cortejada por forasteiro. Rodrigo, porém, está apaixonado, e quer casar-se. Como ele mesmo diz, não tem medidas, "é oito ou oitenta". Para o capitão Cambará, é matar ou morrer, num descomedimento que sugere o descortinar de uma crise anunciada. Descrente dos valores prefixados sejam eles impostos pelo governo ou pela Igreja, Rodrigo é insubordinável: "Se Deus fez o mundo e as pessoas, Ele já nos largou, arrependido".


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Você está sofrendo com Síndrome do Pânico?

Faz mais ou menos um ano que eu não tenho mais crises de pânico.
Se eu consegui, você também vai se livrar delas, porque, quando tinha as crises, eu achava que era a única criatura na face da Terra a sentir aquilo.
Parecia que nada, nem ninguém, poderia me tirar daquele sofrimento. Eu queria entrar por uma parede e sumir, desaparecer, desmaiar... qualquer coisa para me tirar daquele tormento. Parecia uma eternidade!
Hoje, eu ainda sinto muita angústia, como agora... Agora, neste instante em que escrevo, estou sentindo aquele nó na garganta, aliás, eu quase sempre estou angustiada.
Mas a crise, propriamente dita, não vem. Acho que eu aprendi a me controlar, mas, principalmente, a identificar os gatilhos que geram a crise.
Esses gatilhos de que eu falo não são fatores reais... Por exemplo, há pessoas que têm algum medo específico. Para mim, medo específico é um fator real.
No meu caso, não havia (ou há) fatores específicos. As crises me apareciam em qualquer lugar, eu nunca estava segura. Ambientes muito abertos, ambientes muito fechados, shoppings, praia, consultório psiquiátrico, cinema, rua, muita gente, nenhuma gente..., em qualquer lugar as malditas apareciam... Um dia escrevo mais sobre isso.
O que quero dizer, agora, é que, sim, estou sentindo angústia, sim, parece que uma crise de pânico vai se aproximar, mas, depois de anos de psicoterapia e medicação adequada, eu consigo respirar (o que é muito importante: respirar devagar, inspira e expira), tomar o remédio que o médico receitou, tentar manter a atenção em outra coisa (também quero falar mais sobre isso) e seguir a minha vida sem aquele sofrimento imensurável, que só quem teve uma crise dessas pode compreender.
Eu quero que você saiba que essa sensação horrível vai passar.
Tente chorar! Para mim, quando eu começava a chorar, era porque a crise estava indo embora.
Vai passar!!!
 

Síndrome do Pânico

Achei bem explicado neste vídeo:

Síndrome do Pânico

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cara, que loucura!

Meu, fazer um blog é complicado!Tem muita informação, muitos recursos... Socorro!!!

Meu Primeiro Dia no Blog Ou Relatos de Alguém com Problemas "Loucos"

Bom, é verdade que eu sou bipolar. Sei que muitas pessoas utilizam o termo para fazer brincadeiras... Tudo bem, eu não me importo.
Nem todo mundo que eu conheço sabe desse meu diagnóstico, que levou anos para ser descoberto.
Passei por diversas fases... Foi um longo caminho até aqui. E sei onde tudo começou.
Começou com uma crise de pânico (sim, eu também tenho Transtorno do Pânico e TOC).
Na primeira vez que  tive uma crise de pânico, eu tinha 16 anos... Foi horrível, porque eu pensava que estava ficando louca (é essa uma das sensações), que eu era o único ser na face da Terra a sofrer com aquelas sensações,.. me sentia um alien!
Muitos exames foram feitos e estava "tudo bem" comigo... Fisicamente, não encontraram nada. Isso deveria ser um alívio? Eu achava que não. Eu queria, (olha o trocadilho) enlouquecidamente, ter um diagnóstico, pois, assim, teria um remédio e uma cura. Mas não foi isso que aconteceu.
Um dos médicos que me atendeu, num dia de inverno muito frio e nublado, disse que deveria ser psicológico, me indicou uma psicóloga e receitou Lexotan.

Continua...