Inês
foi uma dama da corte portuguesa que teve morte trágica. Seu nome
completo era Inês de Castro (1323 -1355) e ela foi amante do
príncipe herdeiro que se tornaria rei com o nome de d. Pedro I - que
não tem nada a ver com Pedro I Imperador do Brasil. Em 1345, com a
morte da esposa, dona Constança, o príncipe português passou a
viver secretamente com Inês. Chegou a ter filhos com ela. Dez anos
depois, o rei, aproveitando que o filho estava fora do país, mandou
executar a moça. Quando retornou, Pedro ficou furioso e ordenou a
morte dos conselheiros que ajudaram seu pai na decisão. Fora a
vingança, não havia mais o que fazer. O caso trágico foi contado e
recontado em várias obras portuguesas, como “Os Lusíadas”, de
Luís de Camões. "A frase, que significa 'agora é tarde
demais', passou a ser usada como uma alusão à tragédia",
conta o professor de Língua Portuguesa Reginaldo de Carvalho da
Universidade de São Paulo.
domingo, 28 de junho de 2015
sábado, 27 de junho de 2015
Parar Tratamento por Motivo de Não Quero Mais
Não aguento mais!
Eu estou parando o tratamento, tanto de medicação quanto de psicoterapia.
O que aconteceu comigo? Onde eu fui parar? Não me encontro mais!
Todos esses anos de lítio, topiramato, ansiolíticos, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e sei mais lá o quê, me deixaram lenta, burra, sem criatividade. Não quero mais isso pra mim. Eu não sou mais eu!!!
Os médicos receitam, fazem testes conosco... Sei que, muitas vezes, é necessário para acertar a dose e o remédio, só que esses testes corrompem o nosso cérebro e, o pior, a nossa alma.
Estou parando com tudo! Chega!!!
Não quero mais ser este zumbi em que me transformei.
Sei que tive períodos muito ruins, fiz coisas malucas, mas quem não faz?
Eu estou achando também que Transtorno Bipolar é uma invenção médica, pois, se for ver, a vida é assim mesmo (altos e baixos) e não é todo mundo que os psiquiatras mandam para hospícios, um lugar muito legal, por sinal.
Sei lá, acho que Bipolaridade é invenção da mídia golpista e desses médicos LOUCOS só para tirar o nosso dinheiro e, pior, tirar o nosso eu verdadeiro.
Pqp! Eu escrevia bem, tinha energia, fazia muitas coisas, mas, agora, com o uso desses venenos e da terapia, estou uma pessoa morta, sonolenta, lenta...! E eu quero viver!!! Isso não é vida!
Que fácil esse diagnóstico de TBH. Todo mundo vai se achar bipolar. Todo o mundo se acha bipolar, então é fácil a pessoa pensar: "Nossa, esse médico acertou meu diagnóstico!" BURRA você, pessoa que aceita isso. Eu não aceito mais e vou parar com todas essas drogas. E é pra já!
Como dizem, vou ali ser feliz e não volto!!!
Eu estou parando o tratamento, tanto de medicação quanto de psicoterapia.
O que aconteceu comigo? Onde eu fui parar? Não me encontro mais!
Todos esses anos de lítio, topiramato, ansiolíticos, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e sei mais lá o quê, me deixaram lenta, burra, sem criatividade. Não quero mais isso pra mim. Eu não sou mais eu!!!
Os médicos receitam, fazem testes conosco... Sei que, muitas vezes, é necessário para acertar a dose e o remédio, só que esses testes corrompem o nosso cérebro e, o pior, a nossa alma.
Estou parando com tudo! Chega!!!
Não quero mais ser este zumbi em que me transformei.
Sei que tive períodos muito ruins, fiz coisas malucas, mas quem não faz?
Eu estou achando também que Transtorno Bipolar é uma invenção médica, pois, se for ver, a vida é assim mesmo (altos e baixos) e não é todo mundo que os psiquiatras mandam para hospícios, um lugar muito legal, por sinal.
Sei lá, acho que Bipolaridade é invenção da mídia golpista e desses médicos LOUCOS só para tirar o nosso dinheiro e, pior, tirar o nosso eu verdadeiro.
Pqp! Eu escrevia bem, tinha energia, fazia muitas coisas, mas, agora, com o uso desses venenos e da terapia, estou uma pessoa morta, sonolenta, lenta...! E eu quero viver!!! Isso não é vida!
Que fácil esse diagnóstico de TBH. Todo mundo vai se achar bipolar. Todo o mundo se acha bipolar, então é fácil a pessoa pensar: "Nossa, esse médico acertou meu diagnóstico!" BURRA você, pessoa que aceita isso. Eu não aceito mais e vou parar com todas essas drogas. E é pra já!
Como dizem, vou ali ser feliz e não volto!!!
sexta-feira, 26 de junho de 2015
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Resumos de livro/ Érico Verissimo/ Enredo de Ana Terra/ O Tempo e o Vento
Ana
Terra era um dos quatro filhos de Maneco Terra e D. Henriqueta.
Nascera em Sorocaba e viera com a família para a vasta solidão dos
campos e coxilhas do Rio Grande de São Pedro (= Rio Grande do Sul).
O pai lhes fizera, algumas vezes, uma inútil promessa de voltarem
para S. Paulo. Em 1777, era uma moça de 25 anos que ainda esperava o
amor e o casamento. Era “de olhos e cabelos pretos, rosto muito
claro, lábios cheios e vermelhos”. Vivia com o pai, e mãe e dois
irmãos, (Lúcio já estava enterrado nas coxilhas...) no descampado,
sob os temores de invasões dos índios ou dos castelhanos. Levavam
vida muito primitiva e pobre. (“O rancho que habitavam não podia
ser mais primitivo. O velho Terra, como os filhos, era analfabeto,
homem taciturno e de poucas palavras. O mobiliário do rancho,
escasso e rústico. Naquele ermo aquele gente nada fazia mais que
trabalhar de sol a sol, comer, dormir,, esperar... Um dia era quase
sempre a repetição do anterior. A família estava ilhada naquele
verde de horizontes sem fim. Não tinham calendário, nem relógio,
nem vizinhos próximos...”)
“Sempre
que me acontece alguma coisa importante, está ventando”, costumava
dizer Ana Terra. Passam-se anos. E foi num dia assim que ela conheceu
um índio, criado numa redução jesuítica, Pedro Missioneiro. Ela o
encontrou feiro perto da sanga e o pai e irmãos o recolheram e o
trataram no rancho. Apesar de certa má vontade do pai e irmãos, o
índio foi ficando e se incorporando ao primitivo clã. Aí vivia,
trabalhava, tocava flauta e contava histórias muito lendárias, numa
língua misturada de português e espanhol.
Do
amore de Ana Terra e Pedro Missioneiro, vai nascer, mais tarde, um
filho que repetirá as feições e o nome do pai e a teimosia e o
silêncio do avô Maneco Terra. (Pedro Missioneiro aparece e
desaparece rodeado de algum mistério e se projeta como um mito.
Possui certos poderes mágicos que o tornam meio sobrenatural...).
Para cumprir o código de honra do clã e por ordem do chefe Maneco
Terra, Antônio e Horácio, irmãos de Ana, matam e enterram, longe
do rancho, o índio Pedro Missioneiro. Bem longe da estância para
não infringirem o dever sagrado da hospitalidade. Tudo questão de
honra familiar. O filho de Ana Terra e Pedro Missioneiro nasceu em
1789. A vida continua amarga e se torna trágica, quando um bando de
castelhanos invade os ranchos dos Terras, mata o pai e o irmão de
Ana Terra e os dois escravos, violentando Ana Terra e desaparece,
destruindo tudo e levando o que quiseram. (Horácio casara-se e se
mudara para Rio Pardo). D. Henriqueta já tinha morrido. Ainda
escaparam da chacina Eulália, mulher de Pedro, Rosinha, sua filha e
Pedro, filho de Ana Terra, que por ordem dessa, se tinham escondido
no mato.
Quando
as carretas de Marciano Bezerra passam por ali, em demanda das
sesmarias do Coronel Ricardo Amaral, as duas mulheres e as duas
crianças seguem com eles (Ana Terra segue para o rincão longínquo
de Santa Fé: é a fuga da sua solidão, de sua família, eliminada,
do crime dos irmãos que mataram Pedro Missioneiro, da insegurança e
da violência que tomaram conta de sua terra. É a fuga ao passado.)
Depois de longa viagem e sofrimento, chegam ao final do caminho e
fincam raízes na terra. Eulália se une a um viúvo e cria a filha
Rosa. Ana Terra cria Pedro. Estão lançando os alicerces de Santa
Fé. (Passa o tempo e o vento...) Pedro, já moço, volta de uma
guerra sob as ordens do Coronel e se casa com Arminda Mello: do
casamento nascerá um casal de filhos, Juvenal (1804) e Bibiana
(1806) que se casarão com Maruca Lopes e com Rodrigo Cambará. (Ver
a árvore genealógica dos Terra-Cambará).
O
Coronel Ricardo Amaral morreu na Guerra. Agora, nova guerra para a
conquista da Banda Oriental (1811). E lá se foi novamente, para a
guerra, Pedro Terra, agora, sob as ordens do Major Francisco Amaral.
Pedro sabia bem o que era uma guerra. Ia sem nenhuma ilusão.
Despedindo-se da mãe, lhe diz: “Mãe, tome conta de tudo...” -
Tem pressentimentos de que não voltará.
Ana
Terra fica escutando o vento. “Estava de tal maneira habituada ao
vento que até parecia entender o que ele dizia...”
Nas
noites de ventania, ela pensava nos seus mortos. Muitos anos depois,
sua Bibiana, já mulher feita, ouvia a avó dizer, quando ventava:
“Noite
de vento, noite dos mortos...”
ESTILO
DA ÉPOCA
Uma
certa crítica continua calada a respeito do romance de Érico
Veríssimo. E se esquece de que nem todo escritor tem que ser igual
ou semelhantes a Guimarães Rosa. (Guimarães Rosa virou mito... E é
preciso não esquecer que ele está sozinho e, muitas vezes – fica
sozinho pela dificuldade de abordagem: talento e originalidade isolam
do leitor comum e o reservam quase só para os especialistas).
Há
uma crítica também que não suporta a popularidade. O autor tem que
ficar reservado só para ela, não pode andar na mão do povo. Como
Jorge Amado, Érico Veríssimo é um dos romancistas brasileiros
mais lidos. (Realidade apresenta uma estatística
significativa só de volumes editados em português da obra do
escritor gaúcho: mais de dois milhões de exemplares – nº 71 –
fevereiro de 1972).
O
que Érico Veríssimo é: um excelente narrador que foi dominando o
seu instrumento em quarenta anos de trabalho a ponto de se tornar um
mestre de romance brasileiro de hoje. Um romancista que quer ser lido
e não apenas interpretado pelos críticos e pelos alunos das
faculdades de Letras.
“Seja
como for não me considero grande romancista. Não sou um inovador,
nem na técnica nem na linguagem. Se me pedissem um adjetivo para me
qualificar como contador de estórias eu sugeriria engenhoso”.
(Manchete
– 04.08.1973 n. 1.111)
É
uma auto-crítica sincera, mas severa. Em lugar do último adjetivo
se poderia pôr: talentoso.
Érico
Veríssimo é ou não é um romancista moderno?
Somos
todos acusados – escreve ele – de estar ainda escrevendo o
romance do século XIX. Será mesmo verdade? Mas que é o romance do
século XX? Para mim é uma história de problemas de nossa época,
mais o uso de todos os neologismos que a ciência criou – tudo isso
e mais o espírito destes tempos. Mas é uma tolice procurar inventar
a “língua do futuro.
(Carta ao autor em 27.12.1967).
E
como ficou chato ser moderno
agora
serei eterno...
(Aguilar – 284)
Sobretudo
na sua última fase, última até agora, o romancista gaúcho tem
colocado na sua ficção paisagens humanas, problemas da atualidade,
o máximo de participação do mundo de hoje. Assim em O Prisioneiro
e O Senhor Embaixador em que coloca problemas
político-internacionais. Em Incidente em Antares constrói um
significativo romance político, sem cair no panfleto político.
ASPECTOS
SOCIAIS
O
autor não é nem historiador, nem sociólogo, mas a trilogia inteira
de O
Tempo e o Vento
se impregna de importante conteúdo social. Tudo gira em torno de
famílias, de cidades, na formação de uma “nação”.
Em
Ana Terra afloram muitos problemas sociais que podem ser
exemplificados. O regime do rancho, da estância é o paternalista: o
pai, o marido têm a primeira e última palavra. E não se discute.
Impõe sua vontade, a começar da partida de S. Paulo para a solidão
do Sul. Todos, mulher, filha e filhos se submetem à “onipotência”
do cabeça do clã.
“D.
Henriqueta respeitava o marido, nunca ousava contrariá-lo” (12).
Quebra-se a rigidez do domínio absoluto do pai, quando um dos filhos
se casa com mulher da cidade e abandona a estância.
"Aqui
faço o que quero, ninguém me manda. Sou senhor do meu nariz” (41)
Declaração de... força de Maneco Terra. Ele manda e desmanda. E
tanto é verdade que, depois da gravidez de Ana Terra, ele decreta a
sentença de morte contra o estranho Pedro Missioneiro que infringiu
a lei do clã. E os filhos executam a ordem, cegamente.
Nessa
vida de solidão, o pai não dialoga com a filha que se sente cada
vez mais solitária, à espera do amor. Que chegou misterioso e
trágico. Daí nasceu aquela revolta íntima e constante de Ana
Terra, a sua frieza diante da morte quer da mãe como do pai e irmão.
Depois da tragédia final, ela escolhe o caminho: sair para longe e
ajudar a fundar uma nova cidade.
Existem
raízes profundas na religião do clã?
“Automaticamente”
Ana começou a rezar. Seus olhos ergueram-se para o crucifixo,
postaram-se no Cristo de nariz carcomido. Padre nosso que estais no
céu, santificado seja o vosso nome...” (96). Isso, na hora da
tragédia. Depois de tudo consumado, consola sua cunhada:
“Não
há de ser nada. Deus é grande.” “E em pensamento completo a
frase: Mas a serra é maior.” (113)
Na
imensidão daquelas planuras e coxilhas, nos primeiros dias ainda
de sua criação, não há lei nem rei. Vale a lei da força, da
pontaria mais certeira. Quem que poderia, senão a força, pôr um
paradeiro à ganância dos castelhanos?
A
morte vai definir a sorte e a libertação de Ana Terra do julgo
paterno ou masculino. Exterminada a sua família, ela acha um novo
caminho e parte. Vai com ela seu filho Pedro. De Ana Terra sairá
também um sobrenome para a família que vai nascer.
Naqueles
tempos e naquelas terras se vive sob o signo da insegurança,
principalmente pelas escaramuças castelhanas, nas guerras de
rapinagens, de dinheiro e de sexo. Vive-se sob o signo do medo:
adianta plantar, adianta construir, quem garantirá o dia de amanhã,
senão em paz, pelo menos com vida? Nesse clima, como se estruturará
uma sociedade, como nascerá uma cidade? É perguntar ao tempo e ao
vento...
LINGUAGEM
Comecemos,
repetindo um trecho de carta de Érico Veríssimo: “Confesso-lhe
que sempre que vou começar um novo livro fico pensando... Sinto uma
espécie de auto-náusea, medo de me repetir, etc... Conheço todas
os meus “cacoetes literários”, sei onde estão todos os alçapões
da minha carreira de ser como escritor, procuro evitá-los, fugir ao
lugar comum e não bater na mesma tecla. Antes de começar O
PRISIONEIRO, me fiz várias perguntas. Será que não escrevo de
maneira diferente por preguiça? Valerá a pena tentar inovações?
Cheguei a fazer experiências nesse sentido e o resultado me deixou
muito encabulado pelo que havia de artificial, de rebuscado, de
insincero em minha prosa “nova”...” (Carta ao autor –
27.12.1967).
É
o problema de renovar a língua. E o escritor acha que a solução
não é inventar uma língua marginal, mas usar uma língua de ampla
comunicação, capaz de veicular as suas histórias.
Através
de sua obra, a sua língua (gem) se depurou e apurou, adquirindo
concisão e expressividade, sobriedade de adjetivos e usando com
economia os regionalismos. Uma língua (gem) adquirida com talento e
trabalho, com suor e sacrifício. É o inferno do escritor que ajunta
1.300 páginas para, afinal, reduzi-las à somente 400. (Caso de O
Senhor Embaixador – Entrevista à Revista Globo n. 899 de
22-05-1965 – pág. 9).
Mas,
voltando aos regionalismos, o autor os emprega muito moderadamente. A
língua (gem) mais regionalista é a do índio Pedro Missioneiro que
mistura o seu castelhano das reduções com o português do
descampado. O índio usava um “língua confusa”, conforme
expressão de Maneco Terra. (pág. 51) A escolha de um padrão de
língua mais comum, mais geral foi consciente: “quem sabe como o
povo falava no Rio Grande do Sul na última metade do século XVIII?
A linguagem daquela época que nos ficou em documentos oficiais,
proclamações, ordens do dia, obras eruditas, etc, ... Não era
evidentemente a que o povo usava. Quanto a regionalismos verbais acho
que o autor deve usá-los com grande parcimônia, apenas o necessário
para dar a chamada “cor local”. (Ana Terra – Introdução –
pág. XVI). Qualquer leitor brasileiro percebe o sentido universal da
língua (gem) regionalista de José Lins do Rego ou de Graciliano
Ramos. Nem se pode comparar com o regionalismo linguístico,
verdadeiramente de pesquisa, do seu conterrâneo João Simões Lopes.
(Contos gauchescos e Lendas do Sul).“Em
verdade, Érico Veríssimo escapou à tentação de linguagem
regionalista, que faz pesar uma temível hipótese: de uma parte, a
leitura é mais difícil para os não iniciados, em particular para
os estrangeiros, de outra parte a obra se acha desclassificada, pois
a etiqueta regionalista, sem ser necessariamente pejorativa, indica
uma limitação desagradavelmente reduzida de seu alcance.
(Jean Roche – In Aguilar – vo. V – pág. 726).
Outro
problema que me parece ficou bem resolvido na língua (gem) de Ana
Terra: uma extrema sobriedade e simplicidade de acordo com o grau
primário de desenvolvimento do clã de Maneco Terra. Não há
concessões ao retórico ou ao esparramado. A língua(gem) dos Terras
tinha que ser de primitivismos, pobre de recursos. Como eles eram.
“Tudo isso explica a língua um tanto primária de toda a
narrativa.” (Introdução de Ana Terra – pág. XIII)
Exemplifiquemos
alguns casos da língua(gem) em Ana Terra:
1.
Por
influência do castelhano
(zona de fronteira com os povos ibero-americanos) aparece le, objeto
indireto, em lugar de lhe. Na boca de Maneco Terra: “E vosmecê
sabe o que pode le acontecer?” (95)
E
Ana: “Temos dinheiro pra le pagar...” (111)
2.
Neste diálogo de Ana com seu Marciano, ela
usa vosmecê,
tratamento que ocorre mais vezes. É uma forma sincopada de vossa
mercê, aparentada com vosmecê com você. Corresponde ao usted
castelhano. Denuncia um respeito e afastamento, para não dar
intimidade ao interlocutor. O pai também, em certos momentos, a
trata por vosmecê. (95)
3.
É
usual na língua oral do Rio Grande do Sul o tu.
Fenômeno também comum em Portugal. Às vezes, contrariando os
padrões gramaticais, usa-se o tu e o verbo na 3ª pessoa do
singular. É como fala Ana Terra ao filho: “Morreu, disse Ana,
morreu antes de tu nascer.” (91) (70)
4.
Uso generalizado, embora não total de pra: “Temos de arrumar a
casa pra esperar o noivo”
5.
Citemos
algumas palavras de cunho regionalista:
a)
cafundó:
(12, 107) é um brasileirismo usado com o sentido de lugar perdido,
sem eira nem beira, lugar longínquo. Tanto no singular como no
plural.
b)
Chinoca:
moça nova de origem indígena, rapariga filha de chinas (= mulheres
que no Rio Grande do Sul são de raça indígena).
c)
Chiripá:
regionalismo sulino: uma vestimenta sem costura, usada antigamente
pelos homens do campo das estâncias.
d)
Chirimia:
palavra castelhana. É um instrumento musical, uma charamela, espécie
de clarinete. O índio também “sabia tocar chirimia”.
e)
Ganga:
é um tecido azul ou amarelo. “Tinham as calças de ganga escura
arregaçadas...”
f)
Guaiaca:
regionalismo do sul. É um cinto de couro para o porte de armas ou de
dinheiro. “... batendo na guaiaca onde guardava sua carta de
sesmaria” (40)
g)
Salamanca:
palavra que, no sul, designa cavernas misteriosas que a crença
popular enche de riquezas em ouro e prata.
h)
Sanga:
palavra usual no falar e escrever gaúcho para significar um riacho
espraiado no mato, ou nas canhadas que secam com facilidade. Aparece
algumas vezes em Ana Terra.
“A
sanga corrida por dentro dum capão” (5).
“Ana
Terra sorria: a moça da sanga corria também” (5).
Aqui,
no final do tópico sobre a linguagem, convém relembrar uma conversa
de Monteiro Lobato com Érico Veríssimo.
“Muitos
anos mais tarde vim a conhecer Monteiro Lobato pessoalmente, fazendo
com ele excelente camaradagem. Neste exato momento estou ouvindo a
sua voz cheia duma energia meio cansada e desiludida dos homens: “Seu
Érico, o escritor de verdade escreve naturalmente como quem mija.
Não vá muito atrás dessas novidades que andam por aí e que na
maioria dos casos não passam de truques inventados por quem não
sabe contar estórias.
(Solo de Clarineta – Editora Globo – Porto Alegre – vol. II –
pág. 161).
NOTA:
As páginas indicadas para Ana Terra se referem à edição da Globo
– Porto Alegre – 1975.
…......................
Ana Terra
(“O Tempo e o Vento” - “O Continente”)
Ana Terra
é a matriarca da família Terra Cambará. Filha de imigrantes
portugueses que chegam ao Rio Grande do Sul no século 18, Ana e sua
família passam por todas as dificuldades de morar em uma região
esquecida pelas autoridades e permeada de disputas por terras e
fronteiras.
Sua personalidade forte, de garra, obstinação e resistência frente a todas as perdas e violências que sofre fazem de Ana Terra um símbolo da mulher gaúcha. Traços da personalidade de Ana e sua crença na vida serão encontradas nas mulheres das gerações futuras da família Terra Cambará, principalmente de sua neta Bibiana. O erotismo da jovem é também é destacado, pois esta desperta em meio a solidão da fazenda onde Ana mora com a família e culmina com a sua entrega a Pedro Missioneiro.
Além disso, ela é quem estabelece a relação entre o vento e os acontecimentos importantes de sua vida que serão uma espécie de ligação entre o vento e a memória feminina em toda a obra do autor, como um consolo e arma de defesa de mulheres que assistem os homens lutarem e morrerem em suas guerras.
Sua personalidade forte, de garra, obstinação e resistência frente a todas as perdas e violências que sofre fazem de Ana Terra um símbolo da mulher gaúcha. Traços da personalidade de Ana e sua crença na vida serão encontradas nas mulheres das gerações futuras da família Terra Cambará, principalmente de sua neta Bibiana. O erotismo da jovem é também é destacado, pois esta desperta em meio a solidão da fazenda onde Ana mora com a família e culmina com a sua entrega a Pedro Missioneiro.
Além disso, ela é quem estabelece a relação entre o vento e os acontecimentos importantes de sua vida que serão uma espécie de ligação entre o vento e a memória feminina em toda a obra do autor, como um consolo e arma de defesa de mulheres que assistem os homens lutarem e morrerem em suas guerras.
"Sempre que me acontece alguma coisa importante, está
ventando", costuma dizer Ana Terra, que reside com os pais e os
dois irmãos numa estância erma do interior gaúcho, na segunda
metade do século XVII. O cotidiano dos Terras é duro, penoso,
arriscado. Tiram sustento da colheita. Calculam a passagem do tempo
observando a natureza. Vivem sob o perigo de ataques de índios ou de
renegados castelhanos, estes últimos recentemente expulsos do
Continente de São Pedro. Ana Terra, última filha mulher, é
impedida de comprar um espelho, "coisa do diabo", objeto
fútil nesse ambiente austero. Sem ter onde se mirar, só pode
contemplar sua figura na superfície do regado onde lava a roupa da
família. É nesse regato que ela depara com Pedro Missionário,
ferido à bala. Mestiço de índio nascido numa missão jesuíta,
Pedro lutara ao lado dos estancieiros pela expulsão dos castelhanos.
Após restabelecer a saúde, pouco a pouco vence a desconfiança dos
Terras e a repulsa de Ana, para quem sua "presença era tão
desagradável como a de uma cobra". Sem perceber, a moça
enamora-se de Pedro, uma atração trágica e irresistível que muda
a vida da família Terra para sempre.
Árvore genealógica da família Terra-Cambará
Maneco Terra
|
Ana Terra ------- Pedro Missioneiro
_______|
|
Pedro Terra ------ Arminda Terra
_______|__________________
| |
Juvenal Terra Bibiana Terra ---------- Cap. Rodrigo Cambará
| _________________|______
| | | |
Florêncio Terra Leonor Anita Bolívar Cambará ----- Luzia Silva
|_____________________ |
| | |
Maria Valéria Terra Alice Terra ----------------- Licurgo Cambará Aderbal Quadros -------------- Laurentina Quadros
__________|___________ |
| | |
Toríbio Cambará Rodrigo Cambará --------------------------- Flora Quadros Cambará
_____________________________________________|______________________________________________
| | | | |
Floriano Eduardo Alicinha Bibi------Marcos Sandoval Jango----------- Sílvia
…............................
Capitão
Rodrigo Severo Cambará (“O Tempo e o Vento” - “O Continente”)
| Um dos mais conhecidos e marcantes personagens de Erico
Verissimo, capitão Rodrigo Cambará tornou-se um símbolo do
gaúcho no imaginário coletivo, com um misto de bravura,
fanfarronice, generosidade e pensamento libertário, mesmo que
talvez essa não fosse a intenção o autor. A trajetória do
personagem cobre início e meados no século 19. Com seu
comportamento por vezes apaixonante e por tantas outras
reprovável, ele conquista os leitores e o coração de Bibiana
Terra, neta de Ana. A história de amor entre os dois pode ser
considerada a mais consistente e bem-sucedida de todos os casos da
obra. Rodrigo é um personagem épico, que a exemplo de Aquiles e de outros heróis das epopéias gregas, acredita que só as batalhas travadas nas guerras dignificam o homem. Talvez por essa mesma razão, não tinha talento nenhum para a vida doméstica e amava a liberdade de ir e vir quando bem entendesse o tempo que quisesse, mesmo depois de casado.A mesma intensidade da paixão que ele nutre pela ação guerreira é demonstrada no gosto pelos prazeres da vida, principalmente os da mesa e do sexo. Quase que instintivos, estes sentimentos aproximam-se das sensações primitivos do mundo animal. Embora amasse a mulher Bibiana e a respeitasse em muitos aspectos, Rodrigo era o típico mulherengo, que não resistia a um rabo-de-saia e colecionava casos extraconjugais. Alguns dos traços característicos do capitão serão encontrados nos homens das gerações seguintes da família Terra Cambará. O carisma, a simpatia e o charme de Rodrigo compensam as sua falhas infantis e fazem dele um dos personagens mais importantes e marcantes de O Tempo e o Vento e da literatura gaúcha. |
O sexto capítulo da parte O Continente da trilogia cíclica O Tempo
e o Vento.
Santa Fé, 1828.
Chega a Santa Fé o Capitão Rodrigo Cambará. Tinha 30 anos e participara de várias guerras, em 18811, 1817, 1821 e 1825. Faz amizade com Juvenal Terra. Conhece Bibiana quando esta vai ao cemitério colocar flores na sepultura de sua avó, Ana Terra. Rodrigo decide permanecer em Santa Fé. A conselho do padre Lara, o vigário, vai pedir permissão à autoridade da região, coronel Ricardo Amaral Neto. O coronel, alegando não ser a vila lugar para pessoas como ele, pede que vá embora. Mas o capitão está disposto a ficar. Bibiana Terra o impressionara. Ficava horas a fio olhando para sua casa, na esquina da praça. Por causa da jovem, Bento Amaral e Rodrigo desentenderam-se numa festa. Sobem a coxilha para um duelo. Rodrigo é atingido por um tiro disparado por um capanga de Bento Amaral. Juvenal acolhe o Capitão Rodrigo, muito ferido, em sua casa. Restabelecido, ele casa-se com Bibiana em 1829. Rodrigo passa a trabalhar com Juvenal. Abrem um armazém com mantimentos que trazem de Rio Pardo. Nascem Bolívar e Anita, filhos de Bibiana e Rodrigo, e Florêncio, filho de Juvenal e Arminda.
Em 1833, chegam a Santa Fé imigrantes alemães. São eles Erwin Kunz e Hans Schultz e suas famílias. Instalam-se em pequenos ranchos nos arredores da vila.
Capitão Rodrigo não consegue acostumar-se à pacata vida de Santa Fé. Joga, envolve-se com outras mulheres, trabalha pouco. Sua filha Anita, morre sem que ele viesse para socorrê-la.
Inicia-se a Revolução Farroupilha e Rodrigo vai para as batalhas. No ano de 1836, os legalistas atacam a vila. Acompanha-os Rodrigo, que se encontra com Bibiana, à sua espera em casa. O grupo toma o casarão dos Amaral, mas Rodrigo morre atingido no peito por uma bala.
Dona Picucha Terra Fagundes, filha de Horácio Terra, conta histórias de seus novos heróis - Garibaldi, Bento Gonçalves e Canabarro. E fala das guerras que tomaram conta do Rio Grande e levaram seus filhos.
'Sou valente com as armas,
sou guapo como um leão,
índio velho sem governo,
Minha lei é coração.'
Santa Fé, 1828.
Chega a Santa Fé o Capitão Rodrigo Cambará. Tinha 30 anos e participara de várias guerras, em 18811, 1817, 1821 e 1825. Faz amizade com Juvenal Terra. Conhece Bibiana quando esta vai ao cemitério colocar flores na sepultura de sua avó, Ana Terra. Rodrigo decide permanecer em Santa Fé. A conselho do padre Lara, o vigário, vai pedir permissão à autoridade da região, coronel Ricardo Amaral Neto. O coronel, alegando não ser a vila lugar para pessoas como ele, pede que vá embora. Mas o capitão está disposto a ficar. Bibiana Terra o impressionara. Ficava horas a fio olhando para sua casa, na esquina da praça. Por causa da jovem, Bento Amaral e Rodrigo desentenderam-se numa festa. Sobem a coxilha para um duelo. Rodrigo é atingido por um tiro disparado por um capanga de Bento Amaral. Juvenal acolhe o Capitão Rodrigo, muito ferido, em sua casa. Restabelecido, ele casa-se com Bibiana em 1829. Rodrigo passa a trabalhar com Juvenal. Abrem um armazém com mantimentos que trazem de Rio Pardo. Nascem Bolívar e Anita, filhos de Bibiana e Rodrigo, e Florêncio, filho de Juvenal e Arminda.
Em 1833, chegam a Santa Fé imigrantes alemães. São eles Erwin Kunz e Hans Schultz e suas famílias. Instalam-se em pequenos ranchos nos arredores da vila.
Capitão Rodrigo não consegue acostumar-se à pacata vida de Santa Fé. Joga, envolve-se com outras mulheres, trabalha pouco. Sua filha Anita, morre sem que ele viesse para socorrê-la.
Inicia-se a Revolução Farroupilha e Rodrigo vai para as batalhas. No ano de 1836, os legalistas atacam a vila. Acompanha-os Rodrigo, que se encontra com Bibiana, à sua espera em casa. O grupo toma o casarão dos Amaral, mas Rodrigo morre atingido no peito por uma bala.
Dona Picucha Terra Fagundes, filha de Horácio Terra, conta histórias de seus novos heróis - Garibaldi, Bento Gonçalves e Canabarro. E fala das guerras que tomaram conta do Rio Grande e levaram seus filhos.
'Sou valente com as armas,
sou guapo como um leão,
índio velho sem governo,
Minha lei é coração.'
Quando Rodrigo Cambará surge no povoado de Santa Fé, em outubro
de 1828 - a cavalo, chapéu caído na nuca, cabeleira ao vento,
violão a tiracolo -, parece chamar encrenca. Com a patente de
capitão, obtida no combate com os castelhanos, é apreciador de
cachaça, das cartas e das mulheres. Homem de espírito livre, não
combina com os habitantes pacatos do local, mantidos no cabresto pelo
despótico coronel Ricardo Amaral Neto. Mas depois de conhecer
Bibiana Terra, nada convence Rodrigo a arredar o pé da aldeia. Nem a
aspereza de Pedro, pai de Bibiana, nem a zanga de coronel, que não
vê com bons olhos os modos do capitão. Nem mesmo o fato de a moça
ser cortejada por forasteiro. Rodrigo, porém, está apaixonado, e
quer casar-se. Como ele mesmo diz, não tem medidas, "é oito ou
oitenta". Para o capitão Cambará, é matar ou morrer, num
descomedimento que sugere o descortinar de uma crise anunciada.
Descrente dos valores prefixados sejam eles impostos pelo governo ou
pela Igreja, Rodrigo é insubordinável: "Se Deus fez o mundo e
as pessoas, Ele já nos largou, arrependido".
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Você está sofrendo com Síndrome do Pânico?
Faz mais ou menos um ano que eu não tenho mais crises de pânico.
Se eu consegui, você também vai se livrar delas, porque, quando tinha as crises, eu achava que era a única criatura na face da Terra a sentir aquilo.
Parecia que nada, nem ninguém, poderia me tirar daquele sofrimento. Eu queria entrar por uma parede e sumir, desaparecer, desmaiar... qualquer coisa para me tirar daquele tormento. Parecia uma eternidade!
Hoje, eu ainda sinto muita angústia, como agora... Agora, neste instante em que escrevo, estou sentindo aquele nó na garganta, aliás, eu quase sempre estou angustiada.
Mas a crise, propriamente dita, não vem. Acho que eu aprendi a me controlar, mas, principalmente, a identificar os gatilhos que geram a crise.
Esses gatilhos de que eu falo não são fatores reais... Por exemplo, há pessoas que têm algum medo específico. Para mim, medo específico é um fator real.
No meu caso, não havia (ou há) fatores específicos. As crises me apareciam em qualquer lugar, eu nunca estava segura. Ambientes muito abertos, ambientes muito fechados, shoppings, praia, consultório psiquiátrico, cinema, rua, muita gente, nenhuma gente..., em qualquer lugar as malditas apareciam... Um dia escrevo mais sobre isso.
O que quero dizer, agora, é que, sim, estou sentindo angústia, sim, parece que uma crise de pânico vai se aproximar, mas, depois de anos de psicoterapia e medicação adequada, eu consigo respirar (o que é muito importante: respirar devagar, inspira e expira), tomar o remédio que o médico receitou, tentar manter a atenção em outra coisa (também quero falar mais sobre isso) e seguir a minha vida sem aquele sofrimento imensurável, que só quem teve uma crise dessas pode compreender.
Eu quero que você saiba que essa sensação horrível vai passar.
Tente chorar! Para mim, quando eu começava a chorar, era porque a crise estava indo embora.
Vai passar!!!
Se eu consegui, você também vai se livrar delas, porque, quando tinha as crises, eu achava que era a única criatura na face da Terra a sentir aquilo.
Parecia que nada, nem ninguém, poderia me tirar daquele sofrimento. Eu queria entrar por uma parede e sumir, desaparecer, desmaiar... qualquer coisa para me tirar daquele tormento. Parecia uma eternidade!
Hoje, eu ainda sinto muita angústia, como agora... Agora, neste instante em que escrevo, estou sentindo aquele nó na garganta, aliás, eu quase sempre estou angustiada.
Mas a crise, propriamente dita, não vem. Acho que eu aprendi a me controlar, mas, principalmente, a identificar os gatilhos que geram a crise.
Esses gatilhos de que eu falo não são fatores reais... Por exemplo, há pessoas que têm algum medo específico. Para mim, medo específico é um fator real.
No meu caso, não havia (ou há) fatores específicos. As crises me apareciam em qualquer lugar, eu nunca estava segura. Ambientes muito abertos, ambientes muito fechados, shoppings, praia, consultório psiquiátrico, cinema, rua, muita gente, nenhuma gente..., em qualquer lugar as malditas apareciam... Um dia escrevo mais sobre isso.
O que quero dizer, agora, é que, sim, estou sentindo angústia, sim, parece que uma crise de pânico vai se aproximar, mas, depois de anos de psicoterapia e medicação adequada, eu consigo respirar (o que é muito importante: respirar devagar, inspira e expira), tomar o remédio que o médico receitou, tentar manter a atenção em outra coisa (também quero falar mais sobre isso) e seguir a minha vida sem aquele sofrimento imensurável, que só quem teve uma crise dessas pode compreender.
Eu quero que você saiba que essa sensação horrível vai passar.
Tente chorar! Para mim, quando eu começava a chorar, era porque a crise estava indo embora.
Vai passar!!!
terça-feira, 23 de junho de 2015
Meu Primeiro Dia no Blog Ou Relatos de Alguém com Problemas "Loucos"
Bom, é verdade que eu sou bipolar. Sei que muitas pessoas utilizam o termo para fazer brincadeiras... Tudo bem, eu não me importo.
Nem todo mundo que eu conheço sabe desse meu diagnóstico, que levou anos para ser descoberto.
Passei por diversas fases... Foi um longo caminho até aqui. E sei onde tudo começou.
Começou com uma crise de pânico (sim, eu também tenho Transtorno do Pânico e TOC).
Na primeira vez que tive uma crise de pânico, eu tinha 16 anos... Foi horrível, porque eu pensava que estava ficando louca (é essa uma das sensações), que eu era o único ser na face da Terra a sofrer com aquelas sensações,.. me sentia um alien!
Muitos exames foram feitos e estava "tudo bem" comigo... Fisicamente, não encontraram nada. Isso deveria ser um alívio? Eu achava que não. Eu queria, (olha o trocadilho) enlouquecidamente, ter um diagnóstico, pois, assim, teria um remédio e uma cura. Mas não foi isso que aconteceu.
Um dos médicos que me atendeu, num dia de inverno muito frio e nublado, disse que deveria ser psicológico, me indicou uma psicóloga e receitou Lexotan.
Continua...
Nem todo mundo que eu conheço sabe desse meu diagnóstico, que levou anos para ser descoberto.
Passei por diversas fases... Foi um longo caminho até aqui. E sei onde tudo começou.
Começou com uma crise de pânico (sim, eu também tenho Transtorno do Pânico e TOC).
Na primeira vez que tive uma crise de pânico, eu tinha 16 anos... Foi horrível, porque eu pensava que estava ficando louca (é essa uma das sensações), que eu era o único ser na face da Terra a sofrer com aquelas sensações,.. me sentia um alien!
Muitos exames foram feitos e estava "tudo bem" comigo... Fisicamente, não encontraram nada. Isso deveria ser um alívio? Eu achava que não. Eu queria, (olha o trocadilho) enlouquecidamente, ter um diagnóstico, pois, assim, teria um remédio e uma cura. Mas não foi isso que aconteceu.
Um dos médicos que me atendeu, num dia de inverno muito frio e nublado, disse que deveria ser psicológico, me indicou uma psicóloga e receitou Lexotan.
Continua...
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