terça-feira, 1 de setembro de 2015

Os "Loucos", seus Medos e Preconceitos


As pessoas dizem que não, mas o preconceito contra bipolares existe.
Há muitas brincadeiras sobre bipolaridade. Parece um assunto “engraçado” e que todos têm esse diagnóstico.
Dizer: “Você é bipolar!” quase sempre vem seguido de risos.

Eu, que tenho diagnóstico de TBH, nunca liguei muito para isso e, às vezes, também achava graça.


Só que o inusitado aconteceu.
Há mais de cinco anos, se o assunto surge, eu confirmo às pessoas que tenho Transtorno do Pânico, TOC e Bipolaridade. E eu nunca tinha percebido que isso poderia se voltar contra mim. Mas se voltou.
A falta de informação gera medo e preconceito.
Pensei que convivesse com pessoas bem informadas, pois todas graduadas, graduandas ou pós- graduadas.  Gente nessas condições (de poder estar em contato com toda a informação, livros, internet, professores...), para mim, era inconcebível que fossem preconceituosas, pois, preconceito nada mais é do que falta de informação. Pois não é que o preconceito bateu à minha porta?!
Uma conhecida, sem saber que eu era bipolar, começou a falar da ex do seu atual namorado.
-Ela é bipolar!!! – disse a conhecida
-Eu também sou bipolar. – disse eu.
A conhecida ficou com cara assustada.
-Mas ela (a ex), além de ser bipolar, é borderline...
-Eu também.
- Mas ela não se trata...!
- Bom, eu me trato. rs
E começou a contar a história da ex, mas mudou a fisionomia comigo.
Não dei importância ao fato. Senti o preconceito, mas não liguei.
Depois desse dia, a conhecida, que falava comigo todos os dias, não falou mais. Limitou-se a ser cortês, dizendo bom-dia, boa-tarde, boa-noite.
Ainda assim, eu não me importei... Fiquei até com uma certa pena dela, por ser  ignorante.
Só que o tempo passou e soube que ela falava para muitas pessoas que eu era louca.
Isso sim me entristeceu! Me magoou muito!
Mas essa conhecida não é a única.
Tenho amigos com os quais já tive desentendimentos e, quando brigávamos, a primeira coisa que diziam é: “Você é louca!” ou “Bem que me disseram que você não estava bem da cabeça!”
Naqueles momentos de briga com os amigos, eu não me importava (ou achava que não me importava).
Pensava que era o momento da raiva, da briga, que fazia a pessoa dizer “coisas que não queria ou não pensava”. Mas é aí que mora o perigo!
Normalmente, os bipolares são carismáticos, simpáticos, agradáveis... Então, as pessoas gostam da companhia do bipolar, afinal ele faz você se sentir bem, se sentir querido... O bipolar faz você rir. E isso é bom.
Mas isso tudo serve para os momentos bons, pois é verdade que falamos o que realmente pensamos quando estamos com raiva.
Às vezes, penso que também sou preconceituosa. Sabe por quê?
Não estou mais conseguindo emprego. E aí eu penso: “Eu daria emprego para uma pessoa que toma N remédios e que já esteve internada?”
Penso nos meus colegas de clínica... “Eu daria emprego a eles? “
Para alguns, com certeza, eu não daria... Os esquizofrênicos, por exemplo, quando em crise, são o que chamo de “loucos”, porque já vi e ouvi deles insanidades, como achar que havia mais do que um deles mesmos.
Uma amiga minha esquizofrênica durante vários dias dizia que havia ela e outra dela na casa dos pais tentando se passar por ela, pois (a outra dela) queria matá-la com veneno de ratos.
Escrevendo isso tudo, sinto uma profunda angústia, pois me sinto preconceituosa.
Eu sou amiga de esquizofrênicos, mas por que não daria emprego a eles?
Porque eu vi a confusão mental em que se encontravam quando em crise! E era “muito doido”.
Mas também já os vi bem, porém um pouco  entorpecidos por causa da alta dose de medicação receitada. Eu gosto dos meus amigos com problemas mentais!
 É preciso falar sobre doenças mentais. É preciso entender pelo menos um pouco delas, é preciso que esse preconceito se esvaia.
Depois da atitude da minha conhecida, eu pude perceber  que já sofri várias vezes preconceito. No trabalho, que não tenho mais, nas festas onde eu era “o centro das atenções”, com os amigos que também sentem medo do desconhecido ou, simplesmente, por aquelas vezes que pessoas quiseram me ofender e chamaram-me de louca.
É preciso falar sobre doenças mentais.





terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dona-de-casa em Apuros



Por quê?” Ela perguntava-se.


Colocou um anúncio nos classificados:
“Preciso de empregada doméstica, que goste de crianças, com referências, para trabalhar meio turno.
Choveram ligações em seu celular.
Ela não esperava que fossem tantas! Ficou atônita... Não conseguiria responder a todas as mensagens e ligações!
Selecionou várias, as mais necessitadas, as que pareciam sofrer pela falta de dinheiro, de trabalho...
-Alô, é Maria?
- Sim.
- Oi, Maria. Você mandou uma mensagem referente ao anúncio que publiquei no Jornal O Povo que Fala.
-Sim.
-Então, gostaria de saber se você tem referências e experiência.
-Tenho sim e estou precisando muito do emprego. Tenho dois  filhos e já estou com aviso de corte de energia elétrica. Eu não tenho referências, mas tenho muita experiência em serviços de casa... Só não sei passar camisa.
Ela achou graça e gostou da sinceridade de Maria em dizer que não sabia passar camisas. Também ficou penalizada pela situação em que se encontrava.
“Mas não tem referências...”
- Ok, Maria, vou ficar com seu número e retornarei a ligação.
Embora penalizada, ela já sabia que não voltaria a ligar, pois Maria não passava camisas, não demonstrara interesse em dizer “se me ensinar, eu faço” e não tinha referências.
Voltou os olhos para os outros números e ligou para outra pessoa.
-Olá! Gostaria de falar com Juce.
- É ela.
- Oi, Juce. . Você mandou uma mensagem referente ao anúncio que publiquei no Jornal O Povo que Fala.
- Sim, estou muito interessada e precisando do serviço.
- Você tem experiência e referências?
- Sim. Trabalhei dois anos na casa do Dr. Müller.
- Hum... Poderíamos fazer uma experiência começando na segunda?
- Sim, a senhora me passa o endereço que estarei aí na segunda.
Passou o endereço, conversou demoradamente com Juce, explicando sobre as atividades, falando do seu filho e dos filhos de Juce.
Desligou o telefone torcendo para ter feito a melhor e mais justa escolha.
A segunda-feira chegou e ela já se despedia das férias que terminariam em duas semanas.
Não achou necessário telefonar para o Dr. Müller para pedir referências, afinal era um médico extremamente conhecido na região e não passou pela sua cabeça que alguém o indicasse como referência sem ser referência.
Eram 8h30min e Juce ainda não havia chegado.
“Talvez seja o ônibus atrasando.” Pensou.
Às 9 horas, Juce chegou.
- Oi, Juce, achei que não vinha  mais...
- Imagina... É que estou com muitas dores nas costas, mas vim mesmo assim.
- Dores nas costas? Já foi ao médico? Será que vai conseguir trabalhar?
- Tomei um remédio e já tá passando...
- Tem certeza?
- Sim!
Mostrou a casa para Juce, explicou, detalhadamente, o serviço e apresentou seu filho de cinco anos.
As coisas pareciam bem, Juce demonstrava grande capricho ao realizar as tarefas. Além disso, pareceu dar-se bem com a criança.
Segunda, terça, quarta e quinta, tudo andava bem. A nova secretária do lar demonstrava interesse, capricho e não mais se atrasara.
A dona-de-casa estava feliz por ter contratado uma pessoa que, apesar de no primeiro dia ter-se atrasado, demonstrava satisfação pelo trabalho. Só havia um porém:
-Juce, você trouxe a carteira de trabalho para eu assinar?
- Ah, me esqueci de novo. Amanhã, eu trago.
- Juce, eu estou correndo risco em ter contratado você, mas estar sem sua carteira assinada.
-Amanhã eu trago.
Na sexta-feira, Juce não apareceu e não telefonou para qualquer aviso.
- Como ela não vem justamente hoje? Falei que o pagamento seria semanal. Hoje ela receberia. Que estranho...
Tentou ligar, mas foi em vão... Juce não atendia.
-Meu Deus, começo a trabalhar daqui a uma semana e Juce não aparece!
Fez o serviço da casa e levou o filho à escola.
Quando voltou, sozinha em casa, resolveu ligar para o Dr. Müller para obter as tais referências.
Quem atendeu foi a senhora Müller. Ela apresentou-se e, em seguida, pediu referências sobre Juce.
- Não estou lembrando desse nome, mas vou falar com a outra empregada para ver se ela se lembra.
A senhora Müller tinha uma secretária do lar há mais de 10 anos, mas, às vezes, era preciso um reforço, então seria bem possível que Juce tivesse passado  por lá.
-Alô?
- Alô, senhora Müller...
- Não, aqui é  Margarida.
- Você poderia dar referências sobre Juce?
- Ah, essa a Dona Müller não contratou mais porque ela faltava muito. Mas era boa faxineira. Quando aparecia.
- Ela não trabalhou aí por dois anos?
- Hahaha bem que eu gostaria, mas ela simplesmente desapareceu.
- Sabe se ela seria “de confiança”?
- Ah, não posso dizer, pois ela não tinha compromisso.
-Obrigada e desculpe o incômodo.
Desligou o telefone e ficou muito, mas muito aborrecida.
Por quê? Por que as pessoas mentem???
O que vou fazer com os compromissos que tenho? Quem vai ficar com meu filho enquanto trabalho???
Como vou encontrar outra pessoa em apenas uma semana e confiar?
No sábado de manhã, recebeu um sms de Juce dizendo:
“Eu não vou mais poder trabalhar na sua casa. Posso passar aí hoje de tarde para acertar os dias que trabalhei?”
Ela sentiu muita raiva, mas disse que sim e pagou os dias trabalhados sem nenhum questionamento.

Agora, tinha uma semana para tentar encontrar alguém que fosse “de confiança”, tivesse referências e experiência, pois precisava voltar ao trabalho em breve.

Continua...








terça-feira, 14 de julho de 2015

FILME ITALIANO DIVERTIDÍSSIMO

O MONSTRO

Título original: Il Mostro
Lançamento: 1994 – França/ Itália
Direção: Roberto Benigni, Michel Filippi
Atores: Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Jean- Claude Bryaly, Michel Blanc, Dominique Lavanant, Laurent Spievogel, Ivano Marescotti
Gênero: comédia
Classificação Indicativa: 12 anos



Sinopse: Um perigoso maníaco está à solta e a polícia o procura desesperadamente. Na tentativa de pegar o criminoso, a polícia acaba cometendo um grande equívoco e coloca uma agente muito bonita para tentar seduzir Loris, um indivíduo muito atrapalhado e que vive dando uma de espertinho, fazendo de tudo para não pagar as suas contas e que acaba sendo, erroneamente, o suspeito número 1.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

FILME "MALÍCIA"

FILME MALÍCIA


 
Título Original: Malice
Lançamento: 1993 (Canadá/Estados Unidos)
Direção: Harold Becker
Atores: Nicole Kidman, Alec Baldwin, Bill Pullman, David Bowie...
Duração: 1h47min
Gênero: Suspense
Classificação Indicativa: 14 anos


 
Comentário: Ontem, comecei a ver o filme muito mais por causa dos atores que qualquer outra coisa e confesso que, simplesmente, adorei!
São essas coisas que a Netflix faz que nos surpreendem: o filme estava lá como sugestão... Confesso que nem sabia da existência (sinceramente não sei como), pois achei um ótimo suspense.
Como fã de American Horror Story, o longa tem tudo de que gosto: casas antigas, meio caindo aos pedaços, porão sombrio, muita chuva e trovões, serial killer, uma velha com uma história bizarra e o suspense em si.
A Nicole Kidman está ótima e, maravilhosamente, linda! O marido dela, no filme (Bill Pullman), também faz excelente papel, além do ator que faz o médico, Alec Baldwin.
Sempre que o David Bowie está em um filme, eu já sei que vai valer a pena. É uma ponta, mas ele aparece.
Bom, o filme conta a história do casal que quer engravidar, mas não consegue, paralelamente, há um serial killer aterrorizando a vizinhança.
Um médico, que foi colega de Ensino Médio do marido, vai morar na cidade e aluga o andar de cima da casa do casal.
A esposa não gosta do médico, porque ele “se acha”, aliás, depois, ele é acusado de ter “Complexo de Deus”, mas ele não concorda, pois ele diz: “... eu sou Deus!” Olha aí  o link: "...eu sou Deus!"

Ah, também tem a música “Slave To Love”, que, em uma cena, dá um toque suave e sensual... Vou colocar o link da música com trecho do filme “9 1/2 Semanas de Amor”. =D Aqui
Um dia, a personagem da Nicole passa muito mal e é atendida pelo tal médico, que comete um “erro”. Ela se separa do marido, processa o hospital e ganha uma indenização de 20 milhões de dólares.
O filme vai seguindo e as coisas vão-se desenrolando de maneira tensa e surpreendente. Eu adorei e recomendo. 
Se você, que ainda não viu o filme, está pensando que há algum spoiler aqui, está, completamente enganado! :p

 


quinta-feira, 2 de julho de 2015

MUITO FELIZ!!!

Estou muito feliz, porque, hoje, enfim, consegui comprar o The Sims 4.
Fazia muito tempo que eu não jogava TS... Tenho todos, menos o 1, mas não estava jogando. Aí, há umas semanas atrás, comecei a jogar o The Sims 2, então fiquei com muitaaaaa vontade de ver as novidades, então comprei... Hoje comprei o 4.
Comprei também o TS4 Ao Trabalho... Mal posso esperar baixar aqui para começar a jogar!!!
Já ouvi falar que a câmera desse novo TS é meio esquisita, mas eu também vi que dá para configurar do modo que jogava no The Sims 3. Será? Vou tentar. =D
Até breve...



quarta-feira, 1 de julho de 2015

Alguns filmes a que assisti e recomendo! (De onde saíram esses, tem muito mais.)

THELMA & LOUISE

Título original: (Thelma & Louise)
Lançamento: 1991 (EUA)
Direção: Ridley Scott
atores: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Michael Madsen, Brad Pitty, Christopher McDonald
Duração: 130 min
Gênero: Drama 
Classificação Indicativa: 12 anos 
Sinopse: Cansadas da rotina monótona, duas amigas, uma jovem dona-de-casa e uma garçonete quarentona, resolvem deixar tudo para trás durante um fim de semana. Mas no caminho se envolvem em encrencas e acabam perseguidas pela polícia.

 
NOITES DE TORMENTA






Título original: (Nights in Rodanthe)
Lançamento: 2008 (Austrália) (EUA)
Direção: George C. Wolfe
Atores: Richard Gere, Diane Lane , Christopher Meloni , Viola Davis , Becky Ann Baker
Duração: 97 min
Gênero: Romance
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse: A vida de Adrienne Willis (Diane Lane) está de pernas para o ar. Recém separada do marido, tem vários problemas com sua filha por causa disso. Para piorar, seu “ex” pede para voltar para casa e a coloca em uma situação terrível. Pensando em sair do caos e encontrar um pouco de paz, ela vai para Rodanthe, uma cidade litorânea, passar um fim de semana na casa de alguns amigos. Ao mesmo tempo, Paul Flanner (Richard Gere), um médico bem-sucedido, passa por momentos difíceis em sua vida, questionando tudo, inclusive suas decisões profissionais. Também pensando em escapar do ambiente tumultuado em que se encontra, Paul decide partir para outro Estado e encontrar o filho, que não vê há anos. Porém, no meio da viagem, uma tempestade impede que ele prossiga sua jornada e ele é obrigado a parar em Rodanthe, onde se hospeda na mesma pousada em que Adrienne está. Sozinhos no lugar e isolados do mundo por causa do tempo ruim, os dois se solidarizam com a mútua situação desgastante em que ambos se encontram e uma paixão surge entre eles.




A MORTE LHE CAI BEM


 
Título original: (Death Becomes Her)
Lançamento: 1992 (EUA)
Direção: Robert Zemeckis
atores: Meryl Streep, Bruce Willis, Goldie Hawn, Isabela Rossellini Ian Ogilvy
Duração: 103 min
Gênero: Comédia
Classificação Indicativa: 12 anos
Sinopse: Uma famosa atriz egocêntrica (Meryl Streep) rouba de uma aspirante a escritora (Goldie Hawn) o noivo (Bruce Willis), um famoso cirurgião plástico. A noiva rejeitada se torna extremamente complexada e gorda, mas, após 14 anos, ela lança o livro "Eternamente Jovem" e, na noite de autógrafos, está mais linda do que nunca. Ela despertando a atenção de todos, principalmente da atriz que, sentindo-se cada dia mais velha, acaba indo se consultar com uma mulher sensual, bela e misteriosa (Isabella Rossellini), que tem uma poção da juventude que proporciona resultados inimagináveis. Ao bebê-la ela fica jovem outra vez e descobre que sua rival também é cliente da feiticeira. Inicialmente elas começam a brigar pelo médico, mas logo as duas estão preocupadas e, de certa forma, unidas contra um terrível efeito colateral. 

 
PROPOSTA INDECENTE

Título original: (Indecent Proposal)
Lançamento: 1993 (EUA)
Direção: Adrian Lyne
Atores: Robert Redford , Demi Moore , Woody Harrelson , Seymour Cassel , Oliver Platt
Duração: 117 min
Gênero: Drama
Classificação Indicativa: 12 anos
Sinopse: Um casal enfrentando dificuldades financeiras resolve tentar a sorte em Las Vegas, mas nada consegue. No entanto, conhecem um milionário (Robert Redford) que oferece um milhão de dólares ao marido (Woody Harrelson) para permitir que sua mulher (Demi Moore) passe apenas uma noite de amor com ele. De imediato há um choque por parte do casal, mas tal proposta significava o fim dos seus problemas. Só que eles não contavam com as consequências que tal oferta traria.



Dúvidas

Oi, pessoa que está lendo isso agora!
Tudo bem com você?
Comigo está quase tudo bem também, obrigada! :)
A questão é que eu não sei que caminho seguir aqui no blog.

Tenho muitas ideias, gosto de muitas coisas, então, fica um pouco complicado direcionar o blog para somente algum assunto em específico.
Eu não sou muito normal, mas "de perto ninguém é normal", como disse Caetano Veloso, (se bem que "de perto" todo mundo é normal, eu acho.). A questão, agora, é que queria explicar a minha não-normalidade. Mas vou explicar de maneira mas light, não vou falar, hoje, sobre bipolaridade ou Síndrome do Pânico, essas coisas também consideradas de gente anormal.
A questão agora é: eu gosto de cinema, literatura, música, games, produtos de beleza diferentes, moda, coisas hipster também, enfim, queria falar de tudo-ao-mesmo-tempo-agora, porém não dá.
Será que meu blog ficará confuso? Talvez... Como minha cabeça! :p
Bem, a vida é assim para mim... Fazer o quê?
Vou escrever o que me der na telha, afinal eu posso fazer isso! =D
YESSSSSSSS!!!
Vamos começar? Vamos!!!








domingo, 28 de junho de 2015

Agora a Inês é morta.


Inês foi uma dama da corte portuguesa que teve morte trágica. Seu nome completo era Inês de Castro (1323 -1355) e ela foi amante do príncipe herdeiro que se tornaria rei com o nome de d. Pedro I - que não tem nada a ver com Pedro I Imperador do Brasil. Em 1345, com a morte da esposa, dona Constança, o príncipe português passou a viver secretamente com Inês. Chegou a ter filhos com ela. Dez anos depois, o rei, aproveitando que o filho estava fora do país, mandou executar a moça. Quando retornou, Pedro ficou furioso e ordenou a morte dos conselheiros que ajudaram seu pai na decisão. Fora a vingança, não havia mais o que fazer. O caso trágico foi contado e recontado em várias obras portuguesas, como “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. "A frase, que significa 'agora é tarde demais', passou a ser usada como uma alusão à tragédia", conta o professor de Língua Portuguesa Reginaldo de Carvalho da Universidade de São Paulo.

sábado, 27 de junho de 2015

Parar Tratamento por Motivo de Não Quero Mais

Não aguento mais!
Eu estou parando o tratamento, tanto de medicação quanto de psicoterapia.
O que aconteceu comigo? Onde eu fui parar? Não me encontro mais!
Todos esses anos de lítio, topiramato, ansiolíticos, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e sei mais lá o quê, me deixaram lenta, burra, sem criatividade. Não quero mais isso pra mim. Eu não sou mais eu!!!
Os médicos receitam, fazem testes conosco... Sei que, muitas vezes, é necessário para acertar a dose e o remédio, só que esses testes corrompem o nosso cérebro e, o pior, a nossa alma.
Estou parando com tudo! Chega!!!
Não quero mais ser este zumbi em que me transformei.
Sei que tive períodos muito ruins, fiz coisas malucas, mas quem não faz?
Eu estou achando também que Transtorno Bipolar é uma invenção médica, pois, se for ver, a vida é assim mesmo (altos e baixos) e não é todo mundo que os psiquiatras mandam para hospícios, um lugar muito legal, por sinal.
Sei lá, acho que Bipolaridade é invenção da mídia golpista e desses médicos LOUCOS só para tirar o nosso dinheiro e, pior, tirar o nosso eu verdadeiro.
Pqp! Eu escrevia bem, tinha energia, fazia muitas coisas, mas, agora, com o uso desses venenos e da terapia, estou uma pessoa morta, sonolenta, lenta...! E eu quero viver!!! Isso não é vida!
Que fácil esse diagnóstico de TBH. Todo mundo vai se achar bipolar. Todo o mundo se acha bipolar, então é fácil a pessoa pensar: "Nossa, esse médico acertou meu diagnóstico!" BURRA você, pessoa que aceita isso. Eu não aceito mais e vou parar com todas essas drogas. E é pra já!
Como dizem, vou ali ser feliz e não volto!!!






Saga da Família Buscapé

https://www.youtube.com/watch?v=-0na-JZyGNA

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Resumos de livro/ Érico Verissimo/ Enredo de Ana Terra/ O Tempo e o Vento

Ana Terra era um dos quatro filhos de Maneco Terra e D. Henriqueta. Nascera em Sorocaba e viera com a família para a vasta solidão dos campos e coxilhas do Rio Grande de São Pedro (= Rio Grande do Sul). O pai lhes fizera, algumas vezes, uma inútil promessa de voltarem para S. Paulo. Em 1777, era uma moça de 25 anos que ainda esperava o amor e o casamento. Era “de olhos e cabelos pretos, rosto muito claro, lábios cheios e vermelhos”. Vivia com o pai, e mãe e dois irmãos, (Lúcio já estava enterrado nas coxilhas...) no descampado, sob os temores de invasões dos índios ou dos castelhanos. Levavam vida muito primitiva e pobre. (“O rancho que habitavam não podia ser mais primitivo. O velho Terra, como os filhos, era analfabeto, homem taciturno e de poucas palavras. O mobiliário do rancho, escasso e rústico. Naquele ermo aquele gente nada fazia mais que trabalhar de sol a sol, comer, dormir,, esperar... Um dia era quase sempre a repetição do anterior. A família estava ilhada naquele verde de horizontes sem fim. Não tinham calendário, nem relógio, nem vizinhos próximos...”) 
 
Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando”, costumava dizer Ana Terra. Passam-se anos. E foi num dia assim que ela conheceu um índio, criado numa redução jesuítica, Pedro Missioneiro. Ela o encontrou feiro perto da sanga e o pai e irmãos o recolheram e o trataram no rancho. Apesar de certa má vontade do pai e irmãos, o índio foi ficando e se incorporando ao primitivo clã. Aí vivia, trabalhava, tocava flauta e contava histórias muito lendárias, numa língua misturada de português e espanhol.
Do amore de Ana Terra e Pedro Missioneiro, vai nascer, mais tarde, um filho que repetirá as feições e o nome do pai e a teimosia e o silêncio do avô Maneco Terra. (Pedro Missioneiro aparece e desaparece rodeado de algum mistério e se projeta como um mito. Possui certos poderes mágicos que o tornam meio sobrenatural...). Para cumprir o código de honra do clã e por ordem do chefe Maneco Terra, Antônio e Horácio, irmãos de Ana, matam e enterram, longe do rancho, o índio Pedro Missioneiro. Bem longe da estância para não infringirem o dever sagrado da hospitalidade. Tudo questão de honra familiar. O filho de Ana Terra e Pedro Missioneiro nasceu em 1789. A vida continua amarga e se torna trágica, quando um bando de castelhanos invade os ranchos dos Terras, mata o pai e o irmão de Ana Terra e os dois escravos, violentando Ana Terra e desaparece, destruindo tudo e levando o que quiseram. (Horácio casara-se e se mudara para Rio Pardo). D. Henriqueta já tinha morrido. Ainda escaparam da chacina Eulália, mulher de Pedro, Rosinha, sua filha e Pedro, filho de Ana Terra, que por ordem dessa, se tinham escondido no mato.
Quando as carretas de Marciano Bezerra passam por ali, em demanda das sesmarias do Coronel Ricardo Amaral, as duas mulheres e as duas crianças seguem com eles (Ana Terra segue para o rincão longínquo de Santa Fé: é a fuga da sua solidão, de sua família, eliminada, do crime dos irmãos que mataram Pedro Missioneiro, da insegurança e da violência que tomaram conta de sua terra. É a fuga ao passado.) Depois de longa viagem e sofrimento, chegam ao final do caminho e fincam raízes na terra. Eulália se une a um viúvo e cria a filha Rosa. Ana Terra cria Pedro. Estão lançando os alicerces de Santa Fé. (Passa o tempo e o vento...) Pedro, já moço, volta de uma guerra sob as ordens do Coronel e se casa com Arminda Mello: do casamento nascerá um casal de filhos, Juvenal (1804) e Bibiana (1806) que se casarão com Maruca Lopes e com Rodrigo Cambará. (Ver a árvore genealógica dos Terra-Cambará).
O Coronel Ricardo Amaral morreu na Guerra. Agora, nova guerra para a conquista da Banda Oriental (1811). E lá se foi novamente, para a guerra, Pedro Terra, agora, sob as ordens do Major Francisco Amaral. Pedro sabia bem o que era uma guerra. Ia sem nenhuma ilusão. Despedindo-se da mãe, lhe diz: “Mãe, tome conta de tudo...” - Tem pressentimentos de que não voltará.
Ana Terra fica escutando o vento. “Estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia...”
Nas noites de ventania, ela pensava nos seus mortos. Muitos anos depois, sua Bibiana, já mulher feita, ouvia a avó dizer, quando ventava:
Noite de vento, noite dos mortos...” 
 
ESTILO DA ÉPOCA
Uma certa crítica continua calada a respeito do romance de Érico Veríssimo. E se esquece de que nem todo escritor tem que ser igual ou semelhantes a Guimarães Rosa. (Guimarães Rosa virou mito... E é preciso não esquecer que ele está sozinho e, muitas vezes – fica sozinho pela dificuldade de abordagem: talento e originalidade isolam do leitor comum e o reservam quase só para os especialistas).
Há uma crítica também que não suporta a popularidade. O autor tem que ficar reservado só para ela, não pode andar na mão do povo. Como Jorge Amado, Érico Veríssimo é um dos romancistas brasileiros mais lidos. (Realidade apresenta uma estatística significativa só de volumes editados em português da obra do escritor gaúcho: mais de dois milhões de exemplares – nº 71 – fevereiro de 1972). 
 
O que Érico Veríssimo é: um excelente narrador que foi dominando o seu instrumento em quarenta anos de trabalho a ponto de se tornar um mestre de romance brasileiro de hoje. Um romancista que quer ser lido e não apenas interpretado pelos críticos e pelos alunos das faculdades de Letras.
Seja como for não me considero grande romancista. Não sou um inovador, nem na técnica nem na linguagem. Se me pedissem um adjetivo para me qualificar como contador de estórias eu sugeriria engenhoso”.
(Manchete – 04.08.1973 n. 1.111)
É uma auto-crítica sincera, mas severa. Em lugar do último adjetivo se poderia pôr: talentoso.
Érico Veríssimo é ou não é um romancista moderno?
Somos todos acusados – escreve ele – de estar ainda escrevendo o romance do século XIX. Será mesmo verdade? Mas que é o romance do século XX? Para mim é uma história de problemas de nossa época, mais o uso de todos os neologismos que a ciência criou – tudo isso e mais o espírito destes tempos. Mas é uma tolice procurar inventar a “língua do futuro. (Carta ao autor em 27.12.1967).
E como ficou chato ser moderno agora serei eterno... (Aguilar – 284)
Sobretudo na sua última fase, última até agora, o romancista gaúcho tem colocado na sua ficção paisagens humanas, problemas da atualidade, o máximo de participação do mundo de hoje. Assim em O Prisioneiro e O Senhor Embaixador em que coloca problemas político-internacionais. Em Incidente em Antares constrói um significativo romance político, sem cair no panfleto político.
ASPECTOS SOCIAIS
O autor não é nem historiador, nem sociólogo, mas a trilogia inteira de O Tempo e o Vento se impregna de importante conteúdo social. Tudo gira em torno de famílias, de cidades, na formação de uma “nação”.
Em Ana Terra afloram muitos problemas sociais que podem ser exemplificados. O regime do rancho, da estância é o paternalista: o pai, o marido têm a primeira e última palavra. E não se discute. Impõe sua vontade, a começar da partida de S. Paulo para a solidão do Sul. Todos, mulher, filha e filhos se submetem à “onipotência” do cabeça do clã.
D. Henriqueta respeitava o marido, nunca ousava contrariá-lo” (12). Quebra-se a rigidez do domínio absoluto do pai, quando um dos filhos se casa com mulher da cidade e abandona a estância.
"Aqui faço o que quero, ninguém me manda. Sou senhor do meu nariz” (41) Declaração de... força de Maneco Terra. Ele manda e desmanda. E tanto é verdade que, depois da gravidez de Ana Terra, ele decreta a sentença de morte contra o estranho Pedro Missioneiro que infringiu a lei do clã. E os filhos executam a ordem, cegamente.
Nessa vida de solidão, o pai não dialoga com a filha que se sente cada vez mais solitária, à espera do amor. Que chegou misterioso e trágico. Daí nasceu aquela revolta íntima e constante de Ana Terra, a sua frieza diante da morte quer da mãe como do pai e irmão. Depois da tragédia final, ela escolhe o caminho: sair para longe e ajudar a fundar uma nova cidade.
Existem raízes profundas na religião do clã?
Automaticamente” Ana começou a rezar. Seus olhos ergueram-se para o crucifixo, postaram-se no Cristo de nariz carcomido. Padre nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome...” (96). Isso, na hora da tragédia. Depois de tudo consumado, consola sua cunhada:
Não há de ser nada. Deus é grande.” “E em pensamento completo a frase: Mas a serra é maior.” (113)
Na imensidão daquelas planuras e coxilhas, nos primeiros dias ainda de sua criação, não há lei nem rei. Vale a lei da força, da pontaria mais certeira. Quem que poderia, senão a força, pôr um paradeiro à ganância dos castelhanos?
A morte vai definir a sorte e a libertação de Ana Terra do julgo paterno ou masculino. Exterminada a sua família, ela acha um novo caminho e parte. Vai com ela seu filho Pedro. De Ana Terra sairá também um sobrenome para a família que vai nascer.
Naqueles tempos e naquelas terras se vive sob o signo da insegurança, principalmente pelas escaramuças castelhanas, nas guerras de rapinagens, de dinheiro e de sexo. Vive-se sob o signo do medo: adianta plantar, adianta construir, quem garantirá o dia de amanhã, senão em paz, pelo menos com vida? Nesse clima, como se estruturará uma sociedade, como nascerá uma cidade? É perguntar ao tempo e ao vento...
LINGUAGEM
Comecemos, repetindo um trecho de carta de Érico Veríssimo: “Confesso-lhe que sempre que vou começar um novo livro fico pensando... Sinto uma espécie de auto-náusea, medo de me repetir, etc... Conheço todas os meus “cacoetes literários”, sei onde estão todos os alçapões da minha carreira de ser como escritor, procuro evitá-los, fugir ao lugar comum e não bater na mesma tecla. Antes de começar O PRISIONEIRO, me fiz várias perguntas. Será que não escrevo de maneira diferente por preguiça? Valerá a pena tentar inovações? Cheguei a fazer experiências nesse sentido e o resultado me deixou muito encabulado pelo que havia de artificial, de rebuscado, de insincero em minha prosa “nova”...” (Carta ao autor – 27.12.1967).
É o problema de renovar a língua. E o escritor acha que a solução não é inventar uma língua marginal, mas usar uma língua de ampla comunicação, capaz de veicular as suas histórias.
Através de sua obra, a sua língua (gem) se depurou e apurou, adquirindo concisão e expressividade, sobriedade de adjetivos e usando com economia os regionalismos. Uma língua (gem) adquirida com talento e trabalho, com suor e sacrifício. É o inferno do escritor que ajunta 1.300 páginas para, afinal, reduzi-las à somente 400. (Caso de O Senhor Embaixador – Entrevista à Revista Globo n. 899 de 22-05-1965 – pág. 9).
Mas, voltando aos regionalismos, o autor os emprega muito moderadamente. A língua (gem) mais regionalista é a do índio Pedro Missioneiro que mistura o seu castelhano das reduções com o português do descampado. O índio usava um “língua confusa”, conforme expressão de Maneco Terra. (pág. 51) A escolha de um padrão de língua mais comum, mais geral foi consciente: “quem sabe como o povo falava no Rio Grande do Sul na última metade do século XVIII? A linguagem daquela época que nos ficou em documentos oficiais, proclamações, ordens do dia, obras eruditas, etc, ... Não era evidentemente a que o povo usava. Quanto a regionalismos verbais acho que o autor deve usá-los com grande parcimônia, apenas o necessário para dar a chamada “cor local”. (Ana Terra – Introdução – pág. XVI). Qualquer leitor brasileiro percebe o sentido universal da língua (gem) regionalista de José Lins do Rego ou de Graciliano Ramos. Nem se pode comparar com o regionalismo linguístico, verdadeiramente de pesquisa, do seu conterrâneo João Simões Lopes. (Contos gauchescos e Lendas do Sul).“Em verdade, Érico Veríssimo escapou à tentação de linguagem regionalista, que faz pesar uma temível hipótese: de uma parte, a leitura é mais difícil para os não iniciados, em particular para os estrangeiros, de outra parte a obra se acha desclassificada, pois a etiqueta regionalista, sem ser necessariamente pejorativa, indica uma limitação desagradavelmente reduzida de seu alcance. (Jean Roche – In Aguilar – vo. V – pág. 726).
Outro problema que me parece ficou bem resolvido na língua (gem) de Ana Terra: uma extrema sobriedade e simplicidade de acordo com o grau primário de desenvolvimento do clã de Maneco Terra. Não há concessões ao retórico ou ao esparramado. A língua(gem) dos Terras tinha que ser de primitivismos, pobre de recursos. Como eles eram. “Tudo isso explica a língua um tanto primária de toda a narrativa.” (Introdução de Ana Terra – pág. XIII)
Exemplifiquemos alguns casos da língua(gem) em Ana Terra:
1. Por influência do castelhano (zona de fronteira com os povos ibero-americanos) aparece le, objeto indireto, em lugar de lhe. Na boca de Maneco Terra: “E vosmecê sabe o que pode le acontecer?” (95)
E Ana: “Temos dinheiro pra le pagar...” (111)
2. Neste diálogo de Ana com seu Marciano, ela usa vosmecê, tratamento que ocorre mais vezes. É uma forma sincopada de vossa mercê, aparentada com vosmecê com você. Corresponde ao usted castelhano. Denuncia um respeito e afastamento, para não dar intimidade ao interlocutor. O pai também, em certos momentos, a trata por vosmecê. (95)
3. É usual na língua oral do Rio Grande do Sul o tu. Fenômeno também comum em Portugal. Às vezes, contrariando os padrões gramaticais, usa-se o tu e o verbo na 3ª pessoa do singular. É como fala Ana Terra ao filho: “Morreu, disse Ana, morreu antes de tu nascer.” (91) (70)
4. Uso generalizado, embora não total de pra: “Temos de arrumar a casa pra esperar o noivo”
5. Citemos algumas palavras de cunho regionalista:
a) cafundó: (12, 107) é um brasileirismo usado com o sentido de lugar perdido, sem eira nem beira, lugar longínquo. Tanto no singular como no plural.
b) Chinoca: moça nova de origem indígena, rapariga filha de chinas (= mulheres que no Rio Grande do Sul são de raça indígena).
c) Chiripá: regionalismo sulino: uma vestimenta sem costura, usada antigamente pelos homens do campo das estâncias.
d) Chirimia: palavra castelhana. É um instrumento musical, uma charamela, espécie de clarinete. O índio também “sabia tocar chirimia”.
e) Ganga: é um tecido azul ou amarelo. “Tinham as calças de ganga escura arregaçadas...”
f) Guaiaca: regionalismo do sul. É um cinto de couro para o porte de armas ou de dinheiro. “... batendo na guaiaca onde guardava sua carta de sesmaria” (40)
g) Salamanca: palavra que, no sul, designa cavernas misteriosas que a crença popular enche de riquezas em ouro e prata.
h) Sanga: palavra usual no falar e escrever gaúcho para significar um riacho espraiado no mato, ou nas canhadas que secam com facilidade. Aparece algumas vezes em Ana Terra.
A sanga corrida por dentro dum capão” (5).
Ana Terra sorria: a moça da sanga corria também” (5).
Aqui, no final do tópico sobre a linguagem, convém relembrar uma conversa de Monteiro Lobato com Érico Veríssimo.
Muitos anos mais tarde vim a conhecer Monteiro Lobato pessoalmente, fazendo com ele excelente camaradagem. Neste exato momento estou ouvindo a sua voz cheia duma energia meio cansada e desiludida dos homens: “Seu Érico, o escritor de verdade escreve naturalmente como quem mija. Não vá muito atrás dessas novidades que andam por aí e que na maioria dos casos não passam de truques inventados por quem não sabe contar estórias. (Solo de Clarineta – Editora Globo – Porto Alegre – vol. II – pág. 161).
NOTA: As páginas indicadas para Ana Terra se referem à edição da Globo – Porto Alegre – 1975.
......................
Ana Terra (“O Tempo e o Vento” - “O Continente”)

Ana Terra é a matriarca da família Terra Cambará. Filha de imigrantes portugueses que chegam ao Rio Grande do Sul no século 18, Ana e sua família passam por todas as dificuldades de morar em uma região esquecida pelas autoridades e permeada de disputas por terras e fronteiras.

Sua personalidade forte, de garra, obstinação e resistência frente a todas as perdas e violências que sofre fazem de Ana Terra um símbolo da mulher gaúcha. Traços da personalidade de Ana e sua crença na vida serão encontradas nas mulheres das gerações futuras da família Terra Cambará, principalmente de sua neta Bibiana. O erotismo da jovem é também é destacado, pois esta desperta em meio a solidão da fazenda onde Ana mora com a família e culmina com a sua entrega a Pedro Missioneiro.

Além disso, ela é quem estabelece a relação entre o vento e os acontecimentos importantes de sua vida que serão uma espécie de ligação entre o vento e a memória feminina em toda a obra do autor, como um consolo e arma de defesa de mulheres que assistem os homens lutarem e morrerem em suas guerras.

"Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando", costuma dizer Ana Terra, que reside com os pais e os dois irmãos numa estância erma do interior gaúcho, na segunda metade do século XVII. O cotidiano dos Terras é duro, penoso, arriscado. Tiram sustento da colheita. Calculam a passagem do tempo observando a natureza. Vivem sob o perigo de ataques de índios ou de renegados castelhanos, estes últimos recentemente expulsos do Continente de São Pedro. Ana Terra, última filha mulher, é impedida de comprar um espelho, "coisa do diabo", objeto fútil nesse ambiente austero. Sem ter onde se mirar, só pode contemplar sua figura na superfície do regado onde lava a roupa da família. É nesse regato que ela depara com Pedro Missionário, ferido à bala. Mestiço de índio nascido numa missão jesuíta, Pedro lutara ao lado dos estancieiros pela expulsão dos castelhanos. Após restabelecer a saúde, pouco a pouco vence a desconfiança dos Terras e a repulsa de Ana, para quem sua "presença era tão desagradável como a de uma cobra". Sem perceber, a moça enamora-se de Pedro, uma atração trágica e irresistível que muda a vida da família Terra para sempre.

Árvore genealógica da família Terra-Cambará

 Maneco Terra
      |
 Ana Terra ------- Pedro Missioneiro
       _______|
      |
 Pedro Terra ------ Arminda Terra
        _______|__________________
       |                          |
 Juvenal Terra              Bibiana Terra ---------- Cap. Rodrigo Cambará
       |                      _________________|______
       |                     |          |             | 
 Florêncio Terra          Leonor      Anita    Bolívar Cambará ----- Luzia Silva
       |_____________________                                    |
          |                  |                                   |
 Maria Valéria Terra    Alice Terra  -----------------  Licurgo Cambará            Aderbal Quadros -------------- Laurentina Quadros
                                   __________|___________                                                |
                                  |                      |                                               |
                           Toríbio Cambará       Rodrigo Cambará --------------------------- Flora Quadros Cambará
           _____________________________________________|______________________________________________
             |                |                   |                 |                                 |
        Floriano           Eduardo            Alicinha            Bibi------Marcos Sandoval         Jango----------- Sílvia
............................


Capitão Rodrigo Severo Cambará (“O Tempo e o Vento” - “O Continente”)


Um dos mais conhecidos e marcantes personagens de Erico Verissimo, capitão Rodrigo Cambará tornou-se um símbolo do gaúcho no imaginário coletivo, com um misto de bravura, fanfarronice, generosidade e pensamento libertário, mesmo que talvez essa não fosse a intenção o autor. A trajetória do personagem cobre início e meados no século 19. Com seu comportamento por vezes apaixonante e por tantas outras reprovável, ele conquista os leitores e o coração de Bibiana Terra, neta de Ana. A história de amor entre os dois pode ser considerada a mais consistente e bem-sucedida de todos os casos da obra.

Rodrigo é um personagem épico, que a exemplo de Aquiles e de outros heróis das epopéias gregas, acredita que só as batalhas travadas nas guerras dignificam o homem. Talvez por essa mesma razão, não tinha talento nenhum para a vida doméstica e amava a liberdade de ir e vir quando bem entendesse o tempo que quisesse, mesmo depois de casado.A mesma intensidade da paixão que ele nutre pela ação guerreira é demonstrada no gosto pelos prazeres da vida, principalmente os da mesa e do sexo. Quase que instintivos, estes sentimentos aproximam-se das sensações primitivos do mundo animal.

Embora amasse a mulher Bibiana e a respeitasse em muitos aspectos, Rodrigo era o típico mulherengo, que não resistia a um rabo-de-saia e colecionava casos extraconjugais. Alguns dos traços característicos do capitão serão encontrados nos homens das gerações seguintes da família Terra Cambará. O carisma, a simpatia e o charme de Rodrigo compensam as sua falhas infantis e fazem dele um dos personagens mais importantes e marcantes de O Tempo e o Vento e da literatura gaúcha.


O sexto capítulo da parte O Continente da trilogia cíclica O Tempo e o Vento.

Santa Fé, 1828.

Chega a Santa Fé o Capitão Rodrigo Cambará. Tinha 30 anos e participara de várias guerras, em 18811, 1817, 1821 e 1825. Faz amizade com Juvenal Terra. Conhece Bibiana quando esta vai ao cemitério colocar flores na sepultura de sua avó, Ana Terra. Rodrigo decide permanecer em Santa Fé. A conselho do padre Lara, o vigário, vai pedir permissão à autoridade da região, coronel Ricardo Amaral Neto. O coronel, alegando não ser a vila lugar para pessoas como ele, pede que vá embora. Mas o capitão está disposto a ficar. Bibiana Terra o impressionara. Ficava horas a fio olhando para sua casa, na esquina da praça. Por causa da jovem, Bento Amaral e Rodrigo desentenderam-se numa festa. Sobem a coxilha para um duelo. Rodrigo é atingido por um tiro disparado por um capanga de Bento Amaral. Juvenal acolhe o Capitão Rodrigo, muito ferido, em sua casa. Restabelecido, ele casa-se com Bibiana em 1829. Rodrigo passa a trabalhar com Juvenal. Abrem um armazém com mantimentos que trazem de Rio Pardo. Nascem Bolívar e Anita, filhos de Bibiana e Rodrigo, e Florêncio, filho de Juvenal e Arminda.

Em 1833, chegam a Santa Fé imigrantes alemães. São eles Erwin Kunz e Hans Schultz e suas famílias. Instalam-se em pequenos ranchos nos arredores da vila.

Capitão Rodrigo não consegue acostumar-se à pacata vida de Santa Fé. Joga, envolve-se com outras mulheres, trabalha pouco. Sua filha Anita, morre sem que ele viesse para socorrê-la.

Inicia-se a Revolução Farroupilha e Rodrigo vai para as batalhas. No ano de 1836, os legalistas atacam a vila. Acompanha-os Rodrigo, que se encontra com Bibiana, à sua espera em casa. O grupo toma o casarão dos Amaral, mas Rodrigo morre atingido no peito por uma bala.

Dona Picucha Terra Fagundes, filha de Horácio Terra, conta histórias de seus novos heróis - Garibaldi, Bento Gonçalves e Canabarro. E fala das guerras que tomaram conta do Rio Grande e levaram seus filhos.

'Sou valente com as armas,
sou guapo como um leão,
índio velho sem governo,
Minha lei é coração.'

Quando Rodrigo Cambará surge no povoado de Santa Fé, em outubro de 1828 - a cavalo, chapéu caído na nuca, cabeleira ao vento, violão a tiracolo -, parece chamar encrenca. Com a patente de capitão, obtida no combate com os castelhanos, é apreciador de cachaça, das cartas e das mulheres. Homem de espírito livre, não combina com os habitantes pacatos do local, mantidos no cabresto pelo despótico coronel Ricardo Amaral Neto. Mas depois de conhecer Bibiana Terra, nada convence Rodrigo a arredar o pé da aldeia. Nem a aspereza de Pedro, pai de Bibiana, nem a zanga de coronel, que não vê com bons olhos os modos do capitão. Nem mesmo o fato de a moça ser cortejada por forasteiro. Rodrigo, porém, está apaixonado, e quer casar-se. Como ele mesmo diz, não tem medidas, "é oito ou oitenta". Para o capitão Cambará, é matar ou morrer, num descomedimento que sugere o descortinar de uma crise anunciada. Descrente dos valores prefixados sejam eles impostos pelo governo ou pela Igreja, Rodrigo é insubordinável: "Se Deus fez o mundo e as pessoas, Ele já nos largou, arrependido".


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Você está sofrendo com Síndrome do Pânico?

Faz mais ou menos um ano que eu não tenho mais crises de pânico.
Se eu consegui, você também vai se livrar delas, porque, quando tinha as crises, eu achava que era a única criatura na face da Terra a sentir aquilo.
Parecia que nada, nem ninguém, poderia me tirar daquele sofrimento. Eu queria entrar por uma parede e sumir, desaparecer, desmaiar... qualquer coisa para me tirar daquele tormento. Parecia uma eternidade!
Hoje, eu ainda sinto muita angústia, como agora... Agora, neste instante em que escrevo, estou sentindo aquele nó na garganta, aliás, eu quase sempre estou angustiada.
Mas a crise, propriamente dita, não vem. Acho que eu aprendi a me controlar, mas, principalmente, a identificar os gatilhos que geram a crise.
Esses gatilhos de que eu falo não são fatores reais... Por exemplo, há pessoas que têm algum medo específico. Para mim, medo específico é um fator real.
No meu caso, não havia (ou há) fatores específicos. As crises me apareciam em qualquer lugar, eu nunca estava segura. Ambientes muito abertos, ambientes muito fechados, shoppings, praia, consultório psiquiátrico, cinema, rua, muita gente, nenhuma gente..., em qualquer lugar as malditas apareciam... Um dia escrevo mais sobre isso.
O que quero dizer, agora, é que, sim, estou sentindo angústia, sim, parece que uma crise de pânico vai se aproximar, mas, depois de anos de psicoterapia e medicação adequada, eu consigo respirar (o que é muito importante: respirar devagar, inspira e expira), tomar o remédio que o médico receitou, tentar manter a atenção em outra coisa (também quero falar mais sobre isso) e seguir a minha vida sem aquele sofrimento imensurável, que só quem teve uma crise dessas pode compreender.
Eu quero que você saiba que essa sensação horrível vai passar.
Tente chorar! Para mim, quando eu começava a chorar, era porque a crise estava indo embora.
Vai passar!!!
 

Síndrome do Pânico

Achei bem explicado neste vídeo:

Síndrome do Pânico

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cara, que loucura!

Meu, fazer um blog é complicado!Tem muita informação, muitos recursos... Socorro!!!

Meu Primeiro Dia no Blog Ou Relatos de Alguém com Problemas "Loucos"

Bom, é verdade que eu sou bipolar. Sei que muitas pessoas utilizam o termo para fazer brincadeiras... Tudo bem, eu não me importo.
Nem todo mundo que eu conheço sabe desse meu diagnóstico, que levou anos para ser descoberto.
Passei por diversas fases... Foi um longo caminho até aqui. E sei onde tudo começou.
Começou com uma crise de pânico (sim, eu também tenho Transtorno do Pânico e TOC).
Na primeira vez que  tive uma crise de pânico, eu tinha 16 anos... Foi horrível, porque eu pensava que estava ficando louca (é essa uma das sensações), que eu era o único ser na face da Terra a sofrer com aquelas sensações,.. me sentia um alien!
Muitos exames foram feitos e estava "tudo bem" comigo... Fisicamente, não encontraram nada. Isso deveria ser um alívio? Eu achava que não. Eu queria, (olha o trocadilho) enlouquecidamente, ter um diagnóstico, pois, assim, teria um remédio e uma cura. Mas não foi isso que aconteceu.
Um dos médicos que me atendeu, num dia de inverno muito frio e nublado, disse que deveria ser psicológico, me indicou uma psicóloga e receitou Lexotan.

Continua...