terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dona-de-casa em Apuros



Por quê?” Ela perguntava-se.


Colocou um anúncio nos classificados:
“Preciso de empregada doméstica, que goste de crianças, com referências, para trabalhar meio turno.
Choveram ligações em seu celular.
Ela não esperava que fossem tantas! Ficou atônita... Não conseguiria responder a todas as mensagens e ligações!
Selecionou várias, as mais necessitadas, as que pareciam sofrer pela falta de dinheiro, de trabalho...
-Alô, é Maria?
- Sim.
- Oi, Maria. Você mandou uma mensagem referente ao anúncio que publiquei no Jornal O Povo que Fala.
-Sim.
-Então, gostaria de saber se você tem referências e experiência.
-Tenho sim e estou precisando muito do emprego. Tenho dois  filhos e já estou com aviso de corte de energia elétrica. Eu não tenho referências, mas tenho muita experiência em serviços de casa... Só não sei passar camisa.
Ela achou graça e gostou da sinceridade de Maria em dizer que não sabia passar camisas. Também ficou penalizada pela situação em que se encontrava.
“Mas não tem referências...”
- Ok, Maria, vou ficar com seu número e retornarei a ligação.
Embora penalizada, ela já sabia que não voltaria a ligar, pois Maria não passava camisas, não demonstrara interesse em dizer “se me ensinar, eu faço” e não tinha referências.
Voltou os olhos para os outros números e ligou para outra pessoa.
-Olá! Gostaria de falar com Juce.
- É ela.
- Oi, Juce. . Você mandou uma mensagem referente ao anúncio que publiquei no Jornal O Povo que Fala.
- Sim, estou muito interessada e precisando do serviço.
- Você tem experiência e referências?
- Sim. Trabalhei dois anos na casa do Dr. Müller.
- Hum... Poderíamos fazer uma experiência começando na segunda?
- Sim, a senhora me passa o endereço que estarei aí na segunda.
Passou o endereço, conversou demoradamente com Juce, explicando sobre as atividades, falando do seu filho e dos filhos de Juce.
Desligou o telefone torcendo para ter feito a melhor e mais justa escolha.
A segunda-feira chegou e ela já se despedia das férias que terminariam em duas semanas.
Não achou necessário telefonar para o Dr. Müller para pedir referências, afinal era um médico extremamente conhecido na região e não passou pela sua cabeça que alguém o indicasse como referência sem ser referência.
Eram 8h30min e Juce ainda não havia chegado.
“Talvez seja o ônibus atrasando.” Pensou.
Às 9 horas, Juce chegou.
- Oi, Juce, achei que não vinha  mais...
- Imagina... É que estou com muitas dores nas costas, mas vim mesmo assim.
- Dores nas costas? Já foi ao médico? Será que vai conseguir trabalhar?
- Tomei um remédio e já tá passando...
- Tem certeza?
- Sim!
Mostrou a casa para Juce, explicou, detalhadamente, o serviço e apresentou seu filho de cinco anos.
As coisas pareciam bem, Juce demonstrava grande capricho ao realizar as tarefas. Além disso, pareceu dar-se bem com a criança.
Segunda, terça, quarta e quinta, tudo andava bem. A nova secretária do lar demonstrava interesse, capricho e não mais se atrasara.
A dona-de-casa estava feliz por ter contratado uma pessoa que, apesar de no primeiro dia ter-se atrasado, demonstrava satisfação pelo trabalho. Só havia um porém:
-Juce, você trouxe a carteira de trabalho para eu assinar?
- Ah, me esqueci de novo. Amanhã, eu trago.
- Juce, eu estou correndo risco em ter contratado você, mas estar sem sua carteira assinada.
-Amanhã eu trago.
Na sexta-feira, Juce não apareceu e não telefonou para qualquer aviso.
- Como ela não vem justamente hoje? Falei que o pagamento seria semanal. Hoje ela receberia. Que estranho...
Tentou ligar, mas foi em vão... Juce não atendia.
-Meu Deus, começo a trabalhar daqui a uma semana e Juce não aparece!
Fez o serviço da casa e levou o filho à escola.
Quando voltou, sozinha em casa, resolveu ligar para o Dr. Müller para obter as tais referências.
Quem atendeu foi a senhora Müller. Ela apresentou-se e, em seguida, pediu referências sobre Juce.
- Não estou lembrando desse nome, mas vou falar com a outra empregada para ver se ela se lembra.
A senhora Müller tinha uma secretária do lar há mais de 10 anos, mas, às vezes, era preciso um reforço, então seria bem possível que Juce tivesse passado  por lá.
-Alô?
- Alô, senhora Müller...
- Não, aqui é  Margarida.
- Você poderia dar referências sobre Juce?
- Ah, essa a Dona Müller não contratou mais porque ela faltava muito. Mas era boa faxineira. Quando aparecia.
- Ela não trabalhou aí por dois anos?
- Hahaha bem que eu gostaria, mas ela simplesmente desapareceu.
- Sabe se ela seria “de confiança”?
- Ah, não posso dizer, pois ela não tinha compromisso.
-Obrigada e desculpe o incômodo.
Desligou o telefone e ficou muito, mas muito aborrecida.
Por quê? Por que as pessoas mentem???
O que vou fazer com os compromissos que tenho? Quem vai ficar com meu filho enquanto trabalho???
Como vou encontrar outra pessoa em apenas uma semana e confiar?
No sábado de manhã, recebeu um sms de Juce dizendo:
“Eu não vou mais poder trabalhar na sua casa. Posso passar aí hoje de tarde para acertar os dias que trabalhei?”
Ela sentiu muita raiva, mas disse que sim e pagou os dias trabalhados sem nenhum questionamento.

Agora, tinha uma semana para tentar encontrar alguém que fosse “de confiança”, tivesse referências e experiência, pois precisava voltar ao trabalho em breve.

Continua...








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