As pessoas dizem que não, mas o preconceito contra bipolares
existe.
Há muitas brincadeiras sobre bipolaridade. Parece um assunto
“engraçado” e que todos têm esse diagnóstico.
Dizer: “Você é bipolar!” quase sempre vem seguido de risos.
Eu, que tenho diagnóstico de TBH, nunca liguei muito para
isso e, às vezes, também achava graça.
Só que o inusitado aconteceu.
Há mais de cinco anos, se o assunto surge, eu confirmo às
pessoas que tenho Transtorno do Pânico, TOC e Bipolaridade. E eu nunca tinha
percebido que isso poderia se voltar contra mim. Mas se voltou.
A falta de informação gera medo e preconceito.
Pensei que convivesse com pessoas bem informadas, pois todas
graduadas, graduandas ou pós- graduadas.
Gente nessas condições (de poder estar em contato com toda a informação,
livros, internet, professores...), para mim, era inconcebível que fossem
preconceituosas, pois, preconceito nada mais é do que falta de informação. Pois não é que o preconceito bateu à minha porta?!
Uma conhecida, sem saber que eu era bipolar, começou a falar
da ex do seu atual namorado.
-Ela é bipolar!!! – disse a conhecida
-Eu também sou bipolar. – disse eu.
A conhecida ficou com cara assustada.
-Mas ela (a ex), além de ser bipolar, é borderline...
-Eu também.
- Mas ela não se trata...!
- Bom, eu me trato. rs
E começou a contar a história da ex, mas mudou a fisionomia
comigo.
Não dei importância ao fato. Senti o preconceito, mas não
liguei.
Depois desse dia, a conhecida, que falava comigo todos os
dias, não falou mais. Limitou-se a ser cortês, dizendo bom-dia, boa-tarde,
boa-noite.
Ainda assim, eu não me importei... Fiquei até com uma certa
pena dela, por ser ignorante.
Só que o tempo passou e soube que ela falava para muitas
pessoas que eu era louca.
Isso sim me entristeceu! Me magoou muito!
Mas essa conhecida não é a única.
Tenho amigos com os quais já tive desentendimentos e, quando
brigávamos, a primeira coisa que diziam é: “Você é louca!” ou “Bem que me
disseram que você não estava bem da cabeça!”
Naqueles momentos de briga com os amigos, eu não me importava
(ou achava que não me importava).
Pensava que era o momento da raiva, da briga, que fazia a
pessoa dizer “coisas que não queria ou não pensava”. Mas é aí que mora o
perigo!
Normalmente, os bipolares são carismáticos, simpáticos, agradáveis...
Então, as pessoas gostam da companhia do bipolar, afinal ele faz você se sentir
bem, se sentir querido... O bipolar faz você rir. E isso é bom.
Mas isso tudo serve para os momentos bons, pois é verdade
que falamos o que realmente pensamos quando estamos com raiva.
Às vezes, penso que também sou preconceituosa. Sabe por quê?
Não estou mais conseguindo emprego. E aí eu penso: “Eu daria
emprego para uma pessoa que toma N remédios e que já esteve internada?”
Penso nos meus colegas de clínica... “Eu daria emprego a
eles? “
Para alguns, com certeza, eu não daria... Os
esquizofrênicos, por exemplo, quando em crise, são o que chamo de “loucos”,
porque já vi e ouvi deles insanidades, como achar que havia mais
do que um deles mesmos.
Uma amiga minha esquizofrênica durante vários dias dizia que
havia ela e outra dela na casa dos pais tentando se passar por ela, pois (a
outra dela) queria matá-la com veneno de ratos.
Escrevendo isso tudo, sinto uma profunda angústia, pois me
sinto preconceituosa.
Eu sou amiga de esquizofrênicos, mas por que não daria
emprego a eles?
Porque eu vi a confusão mental em que se encontravam quando
em crise! E era “muito doido”.
Mas também já os vi bem, porém um pouco entorpecidos por causa da alta dose de
medicação receitada. Eu gosto dos meus amigos com problemas mentais!
É preciso falar sobre
doenças mentais. É preciso entender pelo menos um pouco delas, é preciso que
esse preconceito se esvaia.
Depois da atitude da minha conhecida, eu pude perceber que já sofri várias vezes preconceito. No
trabalho, que não tenho mais, nas festas onde eu era “o centro das atenções”,
com os amigos que também sentem medo do desconhecido ou, simplesmente, por
aquelas vezes que pessoas quiseram me ofender e chamaram-me de louca.
É preciso falar sobre doenças mentais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário